Jornal Correio Braziliense

Diversão e Arte

Quinteto brasiliense The Pro lança CD de estreia em pocket show

O perfeccionismo fez com que a produção do disco de estreia da banda brasiliense The Pro levasse um ano ; completado em setembro, quando as 11 faixas chegaram prontas do Sterling Sound, estúdio de masterização em Nova York. Também fez com que o vocalista, guitarrista e letrista Zé Mendes ganhasse a pecha de difícil. ;Sou exigente;, ele admite. ;Quando vejo que dá para melhorar, falo mesmo. Algumas pessoas levam para o lado pessoal. Mas a música, hoje em dia, tem que ser só por amor ; não ganhamos dinheiro com ela;, justifica o músico de 27 anos, que lança o CD The Pro esta noite, em pocket show na festa Play (Club 904, Asceb).

Com sonoridade influenciada por bandas contemporâneas ; e sem medo de assumi-las ; o grupo logo encontrou espaço no cenário alternativo de Brasília. Em 2010, foi a banda mais votada em enquete para escolher quem abriria o show dos escoceses Franz Ferdinand na cidade. ;Foi um dos nossos melhores momentos;, lembra o vocalista.

Contemplado com o Fac (Fundo de Apoio à Cultura), o The Pro entrou em estúdio com formação provisória. Além dos titulares Zé, Guigo Arruda (bateria) e Bernardo Mota (baixo), Rogério Pil, que formou a banda com o vocalista, voltou ao time temporariamente para gravar guitarras. Zé assinou a produção (dividida com Gustavo Bill) e pilotou os sintetizadores, função que hoje está com Felipe Frip (também guitarrista da banda Tiro Williams). O guitarrista Gabriel Pakio (que não participou das gravações) completa o quinteto.

Os cinco podem ser vistos no clipe de Isso é o fim, música que abre o álbum The Pro. ;Não é o fim como uma coisa trágica, mas como uma transformação ; das pessoas, da música, de nós mesmos;, observa Zé. Além dos músicos, Rafael Mendes, primo do vocalista, estrela o vídeo e a capa do disco. O menino interpreta Isaac, personagem da faixa instrumental de mesmo nome.

A criança, conta Zé, representa o próprio grupo e a perda da inocência. ;No CD, chegamos ao nosso limite do que uma banda independente consegue fazer com o dinheiro que conseguimos. No futuro, não queremos dar um passo atrás. Até por isso, temos consciência de que pode ser também nosso último disco. Sem apoio de um estúdio, um selo ou uma gravadora, as coisas ficam mais difíceis.; O The Pro pode até não chegar ao segundo álbum, mas, com a estreia, escreveu capítulo interessante da história do rock de Brasília.