Diversão e Arte

Novo CD da banda Gramofocas captou em estúdio a energia do trio ao vivo

postado em 21/10/2011 08:45

O boteco onde os Gramofocas se reuniam serviu de inspiração para letras, arte do encarte e cenário para fotos

Uma década separa Amor, cerveja e sessão da tarde, a segunda fita demo da banda Gramofocas, e No bar, o segundo CD do trio brasiliense ; que será lançado esta noite, com show no Cult 22 Rock Bar. Nesse meio tempo, muita coisa aconteceu com o grupo de Paulo Rocker (baixo e voz), Pedro Silva (guitarra e voz) e Victor Amigo Punk (bateria). O primeiro disco, Sempre que eu fico feliz eu bebo, saiu em 2005. Três anos depois, foi a vez de Gang bang, CD dividido com a extinta banda Capotones. Em 2009, o guitarrista lançou A aurora do deicida, estreia de sua nova banda, Pedrinho Grana & Os Trocados.

Na avaliação de Paulo, No bar é ao mesmo tempo uma evolução em relação ao primeiro disco e uma volta às raízes da banda (que começou as atividades em 1998). ;No disco dividido com os Capotones, a gente se perdeu um pouco. No CD novo, a gente voltou. Ele consegue ser mais Gramofocas do que o primeiro;, compara o baixista. ;O primeiro era mais variado, eclético de certa maneira. O novo é bem cru, sem muita firula;, acrescenta Pedro.

Como indicava a fita cassete de 10 anos atrás, amor, cerveja e sessão da tarde são inspirações primordiais para os Gramofocas. E em No bar não é diferente. Oito das 16 faixas têm citações etílicas, duas reproduzem áudios tirados de comédias dubladas e tantas outras falam das desventuras românticas dos rapazes.

Copo sujo
A capa, o encarte e uma música do disco fazem referência ao boteco onde eles beberam incontáveis litros de cerveja barata. ;Eu e o Pedroca morávamos lá perto. Durante muitos anos, sem grana, a gente vivia ali. Crescemos, paramos de ir lá, começamos a tomar cervejas melhores. Mas foi parte da nossa história. E é legal remeter a alguma coisa de Brasília;, comenta Paulo, 30 anos. ;O que mais me incomodava eram os copos sujos desse bar. Às vezes, eu pegava um copo de plástico no posto de gasolina ali perto;, diverte-se Pedro, também 30 anos.

No bar foi gravado em dois dias, em agosto do ano passado. ;A gente ensaiou muito. E a ideia era gravar todo o instrumental junto, para soar bem verdadeiro;, conta Paulo, que nesse disco assumiu o posto de vocalista, antes dividido com Pedro. A gravação relâmpago ; que contou com posteriores colaborações do guitarrista André Vasquez, dos Sapatos Bicolores ; resultou em um disco com a pegada que o grupo tem nos shows.

E se a ideia era soar mais Gramofocas do que antes, a opção funcionou. Os três acordes do punk rock dos Ramones e os coros dos Toy Dolls são inspirações que sempre estiveram presentes no DNA sônico da banda. Mais do que emulá-los, os Gramofocas deglutiram essas influências e as tornaram suas, a ponto de as músicas expressarem, acima de tudo, a inconfundível personalidade sonora da banda.

Treze anos depois, o que mantém os Gramofocas na ativa? ;Nossa música é simples e tem muita energia. E a melhor coisa é dividir essa energia com o público;, afirma Pedro. Uma coisa que dá para reparar é que algumas musicas falam da própria banda, como Paracatu, A gente vai beber e Motoboy ; que cita uma outra música nossa, Paraty surf. E isso é amor. A gente vive muita coisa e se diverte muito juntos. Não dá para enjoar disso, saca?;, arremata Paulo.


No bar
Segundo disco da banda brasiliense Gramofocas. 16 faixas. 53 HC/ V8 Sounds. R$ 15. Show de lançamento hoje, às 22h, no Cult 22 Rock Bar (Centro de Atividades 7, Lago Norte). Abertura: Sapatos Bicolores. Discotecagem com Lucas Billy e Olavo Perigoso. Entrada: R$ 10, até as 24h, e R$ 15, após. Informações: 3468-4678. Não recomendado para menores de 18 anos.

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