Um talento mais que precoce. Aos 6 anos, Pedro Martins tirava de ouvido, no violão, Do you want to know a secret, dos Beatles. Com 8 anos, era o melhor aluno de piano erudito do professor Dib Francis, na Escola de Música de Brasília. Ele tinha apenas 10 anos quando, tocando guitarra, liderava a banda de pop rock Fator RH, integrada por Felipe Viegas e pelos irmãos Ritcher e Wrand Azevedo.
Com 14 anos, Pedrinho, como é chamado pelos amigos e colegas de ofício, brilhava ao participar de rodas de choro ao lado do bandolinista Hamilton de Holanda e outros destacados instrumentistas brasilienses. Do alto dos seus 16 anos, juntou-se a músicos experientes na Banda Magnética, que acompanhou Zé Luiz ; saxofonista que tocou com Cazuza, Marina Lima, Léo Jaime e outros ícones do pop rock brasileiro nos anos 1980 ; no FestCopa de 2009, no Rio de Janeiro.
Aos 18 anos, o jovem multi-instrumentista ; ele toca violão, guitarra, piano, baixo e bateria ; lança hoje, às 20h, Sonhando alto, o disco de estreia, com show na Sala Cássia Eller (Funarte), pelo projeto Violas, Guitarras e Modernidades. Ao seu lado no palco estarão Felipe Viegas (piano), André Vasconcellos (contrabaixo), Renato Galvão (bateria) e Josué Lopes (sax).
Produzido por Daniel Santiago, com direção geral de Marcos Portinari, o álbum, gravado no estúdio Manga Rosa, no Rio, entre o fim de 2009 e o começo de 2010, traz nove faixas ; todas autorais. No CD, ele tem a companhia de Daniel Santiago (violão), Josué Lopez (sax tenor), André Vasconcellos (contrabaixo acústico), Alex Buck e Kiko Freitas (bateria).
Temas autorais
A maioria dos temas registrados em Sonhando alto, Pedrinho compôs no começo da adolescência ; a exemplo da faixa título. ;Numa das primeiras vezes em que fui à casa do Daniel Santiago, mostrei minhas composições para ele. Depois de ouvi-las e apresentá-las para outros músicos, no Rio, Daniel sugeriu que eu as gravasse e se prontificou a produzir o disco. Das 15 que estavam prontas, escolhemos nove, que tinham mais a ver com a proposta do trabalho;, revela.
Uma delas é Para o amor que ficou, ;a primeira música que compus, quando tinha 14 anos;, lembra. ;Logo em seguida, fiz Anos luz, Caminhos, Nas nuvens, e, um pouco depois, Viagem ao Rio e Viva Hermeto. Ciclo da vida ficou pronta quando estava perto de eu entrar em estúdio. Até pensei em fazer algum cover, mas decidi que deveria me apresentar por completo nesse primeiro CD;, justifica. Na produção de Sonhando alto, com prensagem de cinco mil cópias, foram utilizados recursos do próprio músico, advindos do cachê de shows e auxílio da família ; o pai, ex-guitarrista de conjunto de baile, é servidor do judiciário.
É eclético o elenco de referências de Pedrinho, que inclui desde os Beatles, ;minha primeira paixão musical;, a Maurice Ravel, passando por Supertramp, Hermeto Pascoal, Milton Nascimento, Hamilton de Holanda e Daniel Santiago. ;Do som de cada um deles, extraí alguma coisa que depois viria reprocessar;, conta, em tom reverente.
Tomando o título do álbum como projeto de vida, o guitarrista tem planos ambiciosos. ;Quero levar minha música para o Brasil e para o mundo.; De imediato, o que ele tem agendado é um show na próxima terça-feira, às 20h, pelo Umbria Jazz Festival, no Teatro Eva Herz, na Livraria Cultura Iguatemi.
O que eles dizem
;Pedrinho é um músico que nasceu pronto. É impressionante como ele já tinha na cabeça, no começo da adolescência, tudo o que registrou em Sonhando alto. O tempo vai moldar o estilo desse instrumentista talentosíssimo;
Hamilton de Holanda, bandolinista,compositor e produtor
;Esse menino é um virtuoso. Eu o vi tocar apenas uma vez, mas ficou claro que ele é da escola de Lula Galvão. É um músico de muitas virtudes, que sabe improvisar, como se fosse um guitarrista com muita experiência;
Rosa Passos, cantora, compositora e violonista
;Fiquei impressionado com Pedrinho desde quando ele tinha 15 anos e foi meu aluno na classe de guitarra no Curso de Verão da Escola de Música. Na aula, depois que ele tocou, ninguém mais quis tocar. Tem um grande potencial para explorar;
Lula Galvão, guitarrista, violonista e arranjador
CRÍTICA// Sonhando alto ***
Nos ombros do gigante
A expectativa em torno da estreia de Pedro Martins não dizia respeito tanto à sua precocidade, mas a que tipo de música ele estaria arquitetando. Atuante em contextos muito diversos, o guitarrista devora a linguagem que vier pela frente, do rock ao choro. Algumas pistas já estavam no ar, na web, em gigs na Escola de Música, mas eram só aperitivo.
Sonhando alto chega surpreendendo em vários sentidos. É um álbum conectado ao jazz de vanguarda, arrojado em sua estrutura, e de grande frescor. Dá para sentir os ventos da cena nova-iorquina, que acolhe guitarristas como Julian Lage, Mike Moreno e ; o mais influente da geração ; Kurt Rosenwinckel. O toque brasiliano vem, sobretudo, de Hermeto Pascoal, homenageado em uma faixa, e do violão de Daniel Santiago, que assina a produção.
Aliás, cada membro da banda agrega estatura à obra, com especial contribuição de Felipe Viegas (olho nele). A impressão que se tem é que, nos ombros desse gigante sonoro, Pedrinho viu o mundo. (Gustavo Falleiros)