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Estado de Minas

Joe, o mais popular dos Jonas Brothers, lança o primeiro disco solo

Cantor passa por uma transformação sonora para evitar a maldição que ameaça os ídolos teen


postado em 22/11/2011 08:33

Joe tenta reinventar a carreira se livrando dos antigos gracejos e adotando um estilo mais dançante e urbano(foto: Brendan McDermid/Reuters)
Joe tenta reinventar a carreira se livrando dos antigos gracejos e adotando um estilo mais dançante e urbano (foto: Brendan McDermid/Reuters)
Hits de curto alcance, debandada de fãs, medo da concorrência… Esses são pesadelos que sempre perturbaram os ídolos teen da música pop. Como preservar a fama num nicho de mercado que se renova totalmente a cada cinco anos? Eis a velha questão. Nenhum outro fantasma, portanto, provoca tanto tormento no reino das celebridades juvenis quanto a transição para a idade adulta. Desafio (quase sempre inglório) que o mais popular dos Jonas Brothers, Joe, enfrenta no primeiro disco solo, Fastlife.

Aos 22 anos, o cantor tenta reinventar uma carreira que, até agora, se alinhava à energia do “power pop” e à grife da Disney. Não é uma estratégia simples. A primeira providência de Joe é se livrar dos gracejos do Jonas Brothers: mais “dançante e urbano”, o CD novo tem até palavrão — cortesia do rapper Lil Wayne, que participa da faixa Just in love. “Meu cotidiano foi tão louco e acelerado em 2010. Eu queria trazer as pessoas para dentro do furacão que é a minha vida”, comentou o cantor.

A troca de figurino — e de amizades — tem como objetivo acompanhar as transformações de um fã-clube também em fase de crescimento. Uma fã que tinha 15 anos quando o Jonas Brothers lançou os primeiros sucessos, em 2007, hoje possivelmente está na faculdade. Fastlife, por isso mesmo, trata de temas mais “adultos”, como amores frustrados e as dificuldades de peitar responsabilidades. E apela para uma sonoridade que, lustrada por cinco produtores, entra em sintonia com o balancê de casas noturnas.

Um plano mais desesperado, no entanto, borbulha sob a superfície do álbum: Joe aposta tudo para entrar no clube de ex-adolescentes que conseguiram prolongar o sucesso e migrar para uma plateia mais ampla, sem limites de idade. É o caso de nomes como Justin Timberlake (que ficou conhecido na boy band ‘N Sync) e de Britney Spears. Indispensável, aí, é evitar a maldição que condenou “hitmakers” como Hanson e os Backstreet Boys, além dos brasileiros Sandy, KLB, Twister e tantos outros.

 

Desde 2010, um ano após o lançamento do disco Lines, vines and trying times, o Jonas Brothers se arrisca nessa selva sonora, à prova de novas aventuras e segundas chances. Enquanto Joe divulga Fastlife, Nick arranha as referências de blues no projeto Nick Jonas and the Administration, que lançou o álbum Who I am. Os discos solos dos irmãos ainda estão longe de provocar suspiros entre os fãs do trio: Nick vendeu 150 mil cópias do álbum nos Estados Unidos; enquanto isso, Joe teve que se contentar com uma estreia solo na 15ª posição da parada norte-americana. Ainda parece pouco.

Crescidinho
À reforma visual, soma-se uma recauchutagem de marketing pessoal. Há cinco anos, os Jonas eram os bons moços virginais, que pregavam a pureza do amor perseverante. Hoje, Joe sua os terninhos para transpirar macheza — a cantora Taylor Swift e a atriz Camilla Belle estão entre as beldades que frequentaram o Twitter do cantor. O pulso de Fastlife, nesse aspecto, remete ao Michael Jackson “sensual” do disco Dangerous (1991) — além, é claro, de Justin Timberlake.

Quando juntos, o trio de irmãos ainda mostra que é popular entre as crianças e os adolescentes. Em agosto, bateram recorde de audiência no Disney Channel ao aparecerem num episódio do seriado Hannah Montana. O programa de tevê Jonas, além do reality show Jonas Brothers: living the dream e do filme Camp rock, são atrações infalíveis da emissora. Somados, os quatro discos da banda venderam 10 milhões de unidades. A necessidade de pensar num plano de carreira, porém, se faz urgente: e, se depender dos truques vazios de Fastlife, Joe periga ser lembrado como apenas um adolescente muito famoso que, bem, desapareceu.


Difícil transição

Astros teen que cresceram, sofreram, mas não jogaram a toalha

Hanson
Depois de gravar o grudento MMMBop, em 1997, os três irmãos sofreram crises de identidade, abandonaram a gravadora e ampliaram a família (Taylor, 28, tem quatro filhos), mas não deixaram de gravar discos. O mais recente, Shout it out, é de 2010.

Sandy
Em 2010, a cantora de 28 anos lançou o primeiro disco solo, Manuscrito. Mas a conquista de um novo público, diferente daquele que consagrou a dupla Sandy & Júnior, ainda parece tortuosa: vendeu, por enquanto, 80 mil cópias. A canção escolhida para divulgar o álbum é autoexplicativa: Pés cansados.

Backstreet Boys
Com uma marca impressionante de 130 milhões de discos vendidos no mundo todo, o grupo americano passou por maus bocados na virada do século: depois de uma temporada de fracassos, o quarteto tenta turbinar a carreira numa turnê ao lado do New Kids on the Block.

KLB
A tentativa de tomar um atalho para a carreira política não deu muito certo: Kiko e Leandro voltam à companhia do irmão Bruno para divulgar o CD KLB 3D, com 14 músicas iniciais e dois clipes em 3D. O hit A dor desse amor foi incluído no pacote.

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