Jornal Correio Braziliense

Diversão e Arte

Obra de Chico Science influencia até hoje a cena musical pernambucana

Era 2 de fevereiro de 1997, prévia do carnaval, e Recife já estava em ritmo de folia. Por volta das 19h, o cantor e compositor Chico Science, no auge do sucesso, pegou o seu Fiat Uno branco rumo a Olinda. Mas um acidente fatal mudou o rumo que a música pernambucana poderia seguir. O carro de Chico chocou-se com um poste na região do Complexo de Salgadinho.

Na noite anterior, o cantor esteve com alguns amigos e mostrou as novidades musicais que ouvira na última viagem à Europa. Foram duas turnês internacionais. A terceira já estava programada e um produtor japonês flertava com Chico e a Nação Zumbi. Em um dos ônibus que faziam o trajeto Recife-Olinda estava também China, na época, um adolescente. ;Eu tinha uma namorada que vivia em Recife e, obrigatoriamente, eu passava naquela curva onde o carro bateu. Vi o acidente, mas não sabia que era o Chico Science. Depois, meu irmão chegou dizendo que ele tinha morrido. Fiquei espantado. Mas ninguém pensou: ;Ih acabou tudo. Recife não vai ter mais nada;. Pelo contrário, a galera tinha uma vontade de continuar mostrando que Pernambuco é um estado forte culturalmente falando;, lembra China, ex-vocalista da banda Sheik Tosado, agora cantor em carreira solo e VJ da MTV. Hoje, ele apresenta, às 23h30, o Especial MTV: Chico Science ; 15 anos depois.

Outro que não consegue esquecer aquele dia é Urêa, percussionista da banda Eddie, que, com um grupo de amigos, tocava em um bar perto do Mercado da Ribeira, em Olinda. ;Chico passou a frequentar o lugar e assistia às apresentações. Um dia, chamamos ele para uma participação especial. Ele morreu justamente no dia que tocaria com a gente. Foi difícil acordar e ir para o velório de um cara que era meu ídolo. Nunca chorei tanto por uma pessoa que não fosse da minha família;, revela.


Paulo André Pires, agente e amigo de Chico Science, foi o primeiro a vê-lo no hospital. ;Ao chegar lá, um policial civil me disse que ele estava morto. Vi Chico deitado no chão, com o corpo perfeito e uma poça de sangue na altura da cabeça. Ele morreu com um grande corte na parte direita da nuca. Assumi o funeral e arrumei tudo. Foi a pior produção da minha vida;, desabafa Paulo, idealizador e produtor do Abril pro Rock.

Ele guarda na memória todos os momentos que viveu ao lado de Chico. ;Lembro-me dos shows em Brasília. A cidade tem uma cena musical atuante e recebeu a gente muito bem. Curitiba, Brasília, Fortaleza e Porto Alegre eram as melhores cidades para Chico e a Nação. Fora o eixo Rio-São Paulo, esses foram os lugares onde eles mais estiveram na época;, conta Paulo, que é dono de um vasto acervo sobre Chico Science e planeja escrever um livro. A ideia não é nova, mas custa a sair do papel. ;São muitas fotos, muito material, preciso me organizar.;-

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