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Diversão e Arte

Filme dirigido por Sam Raimi apresenta menina possuída por demônio judeu

Los Angeles - Em The Possession, o filme mais recente produzido pelo mestre do terror Sam Raimi, a atriz Kyra Sedgwick interpreta a mãe de uma menina possuída por um maléfico espírito judeu, em uma retomada do tema da possessão demoníaca. O filme produzido pelo diretor de Homem-Aranha 3 estreia sexta-feira (31/8) nos Estados Unidos.

No longa-metragem, uma menina de 11 anos, interpretada por Natasha Calis, libera inocentemente o demônio Dybbuk. Segundo a tradição judaica, este espírito maligno possui e consome o corpo da vítima, que, em uma das cenas de maior impacto, vomita borboletas.

Sedgwick, famosa pelo papel de chefe de polícia na série de TV The Closer, tenta lidar com o demônio imune a crucifixos que possui sua filha, em uma angustiante corrida contra o tempo ao lado do marido Clyde (Jeffrey Dean Morgan, Watchmen), de quem acaba de pedir a separação.

"Sempre fui uma pessoa espiritual, quando entro em uma casa antiga posso perceber se há ou não boas vibrações ali, ou fantasmas infelizes. Então, realmente não sou uma pessoa cética", afirmou Sedgwick na apresentação do filme à imprensa em Los Angeles, deixando aberta a possibilidade do filme ser "baseado em fatos verdadeiros", como alegam os produtores.

Para Morgan, o que torna verdadeira a história é o drama familiar subjacente. "O mais aterrorizante para mim neste filme é ver algo que acontece com seu filho. Este pensamento é pavoroso. Assim, no meu caso foi muito fácil falar desta emoção, é muito real", declarou o "Denny Duquette" da popular série dramática Grey;s Anatomy.

Dando prosseguimento à tradição de O Exorcista, o clássico de 1973, The Possession renova o relato da possessão demoníaca em um contexto moderno, ao mesmo tempo que tenta afastá-lo dos clichês cristãos. Mas como apresentar uma proposta diferente em uma indústria abarrotada de exorcistas? Com a interpretação, responde o diretor dinamarquês Ole Bornedal, autor de thrillers como Nightwatch (1997) e I Am Dina (2002).

[SAIBAMAIS]"Precisamos reinventar a emoção. Há tantas emoções tão copiadas. Alguém diz ;uma história de amor deve ser representada de tal maneira ou um filme de ação se interpreta de tal jeito;. Mas é necessário reinventar tudo, encontrar um momento verdadeiro, e isto acontece com frequência".



A chave, concordam o diretor e os dois atores principais, foi a a atuação da menina Natasha Calis, que foi escolhida após um teste no qual chorou ao improvisar que estava possuída por uma idosa polonesa. "Foi muito intenso, emocional e fisicamente", disse Calis, agora adolescente. "Tinha que gritar tudo o que conseguia e foi divertido", completou.

O que não foi tão divertido para a jovem foi a cena das borboletas, cuja imagem ilustra o cartaz do filme. "Fiquei muito assustada. Estava em um quarto escuro e jogavam baldes e baldes de borboletas, todas em cima de mim, e eu não conseguia ver", contou a atriz. "Mas, depois, achei que foi uma experiência divertida, porque aprendi a ficar tranquila, apesar de estar louca por dentro", concluiu.