Diversão e Arte

Ganhador do Nobel tem forte ligação com o realismo mágico de Garcia Márquez

Nahima Maciel
postado em 12/10/2012 09:19

Há quatro anos, questionado sobre a possibilidade de receber o Nobel de Literatura durante uma entrevista para um jornal espanhol, o escritor chinês Mo Yan disse acreditar ser quase impossível. O prêmio, ele avaliou, era coisa do Ocidente e a literatura chinesa, muito complexa para ser compreendida por ocidentais. Ao contrário da japonesa, a produção chinesa está cheia de meandros e autores desconhecidos. Duro e direto, Mo Yan atribui essa realidade a dois fatores: um longo período de censura e controle das vozes literárias e a baixa qualidade da produção. Segundo o autor, dos mil romances publicados na China a cada ano, apenas 20 são realmente bons. Pois ontem foi a vez de Mo Yan mostrar a cara e se tornar uma das vozes responsáveis por levar ao mundo a complexidade da literatura chinesa.

Agraciado com o Nobel de Literatura, o escritor declarou estar extremamente feliz e um pouco assustado, mas ressaltou: ;Ganhar não significa nada;. Vai receber da Academia Sueca um montante de US$ 1,2 milhão e uma projeção capaz de alçar sua literatura (e de outros autores chineses) às livrarias de centenas de países. Não há livros de Mo Yan traduzidos no Brasil, embora oito de seus 10 romances já estejam disponíveis em línguas como espanhol, inglês e francês.


Mo Yan é o realista fantástico da China. Encontrou na tradição oriental de narrativas conduzidas por símbolos e imagens uma fonte capaz de fornecer instrumentos para falar da realidade sofrida e velada. Bebeu intensamente em fontes latino-americanas ; o realismo mágico de Gabriel García Márquez foi uma das primeiras inspirações ;, mas encontrou nas raízes uma narrativa própria. Mo Yan, na verdade, se chama Guan Moye. ;Escolhi esse pseudônimo, que significa não fale, em homenagem aos anos em que não podíamos dirigir a palavra a ninguém;, contou, em entrevista ao jornal El país. Nascido em 1955 em uma província pobre, filho de agricultores, o escritor deixou a escola ainda no primeiro grau para trabalhar e, adolescente, entrou para o exército, única oportunidade de ter uma vida melhor para um jovem sem educação, pobre e agricultor na China da década de 1970.

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