Diversão e Arte

Escritora americana Karen Walker fala sobre adolescência e meio ambiente

Nahima Maciel
postado em 22/10/2012 06:00

A ideia estacionou na cabeça da escritora Karen Walker como um mantra. Foi após ler uma notícia de jornal, em 2004. O terromoto responsável pelo tsunami na Indonésia afetou a rotação da Terra e encurtou os dias em uma fração de segundos. Pouquíssimo para percebermos. O suficiente para fantasiarmos. A cabeça de Karen começou a funcionar: e se a tal rotação fosse afetada ao ponto de aumentar drasticamente as horas de sol e escuridão. E se os dias ficassem mais longos? O que aconteceria com a vida no planeta? Karen assume que o argumento tem os elementos clássicos de um roteiro de ficção científica com direito a apocalipse, mas o bom-senso (e bom gosto) dessa californiana tomou outro rumo e se transformou em um simpático romance aparentemente destinado ao público adolescente, mas tão delicadamente narrado que não vai fazer feio nas mãos de adultos.

A idade dos milagres não tem explosões, cenários apocalípticos, descobertas científicas bombásticas, bolas de fogo caindo dos céus e hordas de humanos divididos entre os bons e maus. Ao contrário, tudo parece correr razoavelmente bem com a humanidade diante da descoberta e as mudanças na vida de Julia, a heroína de Karen, têm mais a ver com a entrada na adolescência do que com a desaceleração da Terra. Aos poucos e com muito mais verossimilhança que nos filmes, a autora introduz as consequências do fenômeno: os dias ficam mais longos, assim como as noites, e o planeta descobre lentamente como lidar com a situação.

Confira um trecho do livro

"Nossa escola seguia o Horário do Relógio, então as aulas começavam às nove. Isso significava que a espera no ponto de ônibus seria no escuro, nossos rostos iluminados por uma lâmpada de rua amarela distante que, como todas as lâmpadas de rua em nosso bairro, fora projetada especialmente para nos deixar na escuridão, pois luzes acesas prejudicavam a visão através do enorme telescópio da universidade, havia trinta anos posicionado sobre uma colina mais a leste. Poluição luminosa, era o que se dizia. Mas o que estariam observando aqueles astrônomos, se agora a verdadeira ação acontecia ali?"

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação