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Estado de Minas

Leia trechos da biografia de Dolores Duran


postado em 24/11/2012 06:00

Numa das apresentações de Dolores na Rádio Clube do Brasil, onde, para variar, cantou em várias línguas, sua voz foi ouvida pelo barão Von Stucker, proprietário da chiquérrima boate Vogue, em Copacabana. Há quem diga que quem chamou a atenção do barão para ouvi-la nesse programa foi um político in uente da época, amigo de Lauro Paes de Andrade, que já a acompanhava nos saraus do amigo. Seja como for, sua voz acabou por cativar o tal barão, que a chamou para fazer um teste para atuar em sua casa noturna. No dia marcado, ela cantou acompanhada do pianista Claude Austin e passou no ato. Foi imediatamente contratada por ele para ser crooner de sua boate, localizada entre o Leme e Copacabana, na avenida Atlântica, à altura da Princesa Isabel, hoje uma movimentada via de mão dupla.

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Dolores passou a abrir as noites do Vogue, onde os cantores residentes eram ninguém mais, ninguém menos que duas das maiores sambistas de então – a brejeira de voz nasalada Aracy de Almeida, e a extrovertida e exuberante Linda Batista; e um iniciante promissor, no caso, o cantor de vozeirão, Jorge Goulart, com apenas cinco anos de carreira em disco, mas já com mais tempo de tarimba na noite que a nossa estreante poliglota. Havia outros crooners que também trabalharam lá nessa época, como Louis Cole (especialista no repertório de Nat King Cole), e cantoras que não chegaram a emplacar por muito tempo, como Gerusa de Oliveira, além de eventuais atrações internacionais. Tempos depois, Silvio Caldas e Elizeth Cardoso também cantaram ali, até que um terrível incêndio destruiu boate e hotel, em 1955.


O casamento de Dolores com Macedo Neto foi tão inesperado que pegou até a própria cantora de surpresa. Na primeira matéria em que os dois assumem a união, do jornal A Noite, ela se dizia contra o casamento, devido às responsabilidades que tinha com a família – de ajudar a sustentar a mãe e a irmã caçula. Disse que sempre foi o “homem da casa” e que, para casar-se,era preciso um sujeito que lhe desse certo conforto e ao mesmo tempo aceitasse sua condição de arrimo de família. De acordo com a reportagem, seu marido, paulista de Itu, era apenas sete anos mais velho, estava com 32 anos. Era bem-sucedido radioator (comediante) da Mundial e Mayrink Veiga e tinha ordenado “quatro vezes maior que o dela”.

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