Jornal Correio Braziliense

Diversão e Arte

Pessoas de diferentes credos refletem sobre As aventuras de Pi

O filme desperta discussões holísticas

As aventuras de Pi, um dos filmes em cartaz da temporada natalina, é exibido em algumas salas com a opção em três dimensões. Na tela, incontáveis efeitos especiais (alguns não tão óbvios assim) servem para embalar uma aventura improvável. Embora a narrativa da história do garoto indiano Piscine Molitor Patel (baseada no livro A vida de Pi, de Yann Martel) contenha elementos suficientes para encantar plateias de shopping centers, questões metafísicas são tratadas na trajetória do protagonista reconhecido pelo apelido Pi.


Apesar de filho de representantes da Índia moderna, mais afeitos à ciência do que a religião, na infância o garoto Piscine ensaia aproximações com o hinduísmo, o cristianismo e o islamismo. Na idade adulta, ele discorre sobre hábitos do judaísmo também. O sincretismo do personagem é capaz de ajudá-lo em situações extremas, como na sobrevivência a um naufrágio e o encontro com a natureza, representada no corpo de um tigre-de-bengala. As indagações de um ser humano imantado por sua relação com várias crenças dão ao título uma espécie de dimensão espiritual. O Correio convidou representantes de várias religiões para assistirem a As aventuras de Pi e comentarem as questões metafísicas presentes no novo filme assinado por Ang Lee.