Ricardo Daehn
postado em 18/02/2013 07:00

;Não tenho que trabalhar a cada segundo que passa.; Se pode soar a esnobismo a declaração da atriz Jessica Chastain ao jornal britânico The Observer, o leitor pode dissipar, de pronto, a impressão, já que se trata de um comodismo conquistado. Há três anos, a atriz contava apenas com o que chamava de ;A maldição de Chastain; (piada interna, em torno da falta de êxitos), além de separar moedas para ir à lavanderia e contabilizar, em casa, a companhia de um punhado de ratos. Não foi com o tal passe de mágica dos contos de princesa, mas na base do suor pessoal, que a americana, aos 35 anos, pode ostentar vestidos da grife inglesa McQueen, e o mérito de ser considerada ;a nova Meryl Streep;, pelo argentino Clarín. Isso além de em duas ocasiões ter emplacado uma dupla de filmes, no topo das bilheterias norte-americanas. A tudo isso, soma-se o momento de glória: pelo segundo ano consecutivo, ela está indicada ao Oscar. Desta vez, de melhor atriz, pela polêmica produção A hora mais escura.
;Mantenho-me ao lado do filme;, disse ela à BBC, em defesa do thriller assinado pela vencedora do Oscar Kathryn Bigelow (Guerra ao terror), a quem Jessica descreve como ;alguém com âmago de ferro; . Bigelow, por sinal, dissuadiu a atriz da empreitada, líquida e certa, de Homem de Ferro 3. Por três meses, Jessica formulou o combustível para dar vida à estratégica e calada agente da CIA Maya ; peça-chave para a caçada a Osama bin Laden, antes retratada na narrativa do livro investigativo No easy day (de Mark Owen). ;Maya é definida pelo trabalho dela e não pela interação junto de um equivalente masculino;, disse, em tom de vitória, à imprensa inglesa. ;Por muito tempo, ouvi que os estúdios tinham desinteresse em apresentar mulheres encabeçando elenco, por causa da gana de fazer dinheiro;, completou.
