Diversão e Arte

Adriana Lodi é uma das mestras da nova geração de atores brasilienses

Desde 2001, a atriz ministra uma oficina gratuita de teatro, no Espaço Cultural Renato Russo. Ela conta que começou em uma oficina aso 13 anos e nunca mais parou

postado em 21/04/2013 09:09
Se você acompanha o teatro e o cinema produzidos no Distrito Federal certamente viu este rosto em algum lugar. Adriana Lodi, atriz de 42 anos, mais de 20 deles dedicados ao ofício, deu expediente em peças como Os demônios, de Antonio Abujamra e Hugo Rodas. No cinema, surge em Se nada mais der certo, de José Eduardo Belmonte. No dia a dia, no entanto, é que ela cumpre o sacerdócio intenso e diário. Desde 2001, ministra uma oficina gratuita de teatro, no Espaço Cultural Renato Russo, o que a torna uma das mestras mais queridas (e rigorosas) da nova geração de atores brasilienses.

Desde 2001, a atriz ministra uma oficina gratuita de teatro, no Espaço Cultural Renato Russo. Ela conta que começou em uma oficina aso 13 anos e nunca mais parouComo foi sua iniciação teatral?
Comecei em uma oficina aos 13 anos e nunca mais parei. Era muito tímida, reservada. Tinha um namorado e a irmã dele fazia teatro lá na 508 Sul. Me convidaram porque disseram que estavam selecionando pessoas e fui como uma acompanhante, uma espectadora. Mas, quando cheguei lá, não podia ficar olhando, tinha que fazer. Tremia nas pernas, aquilo não fazia parte da minha realidade. A peça era do Pernambuco de Oliveira, Que-pe-co-poi-sa-pa: a bomba atômica. O professor sugeriu que eu fizesse uma velhinha. Foi uma experiência interessante porque eu usei toda a minha ansiedade, meu nervoso corporal, minha falta de controle, de equilíbrio.

E esse início acidental acabou ganhando continuidade;
Como eu não tinha nenhuma experiência, o professor do grupo criou um personagem pra mim. E sábado e domingo, às 10h e às 16h, entrava no palco muda e saía calada. Minha personagem não tinha nenhuma função, era a mulher de um japonês. Ele fazia um buraquinho na terra e eu plantava uma sementinha invisível. Foi muito interessante ficar dentro de um grupo de teatro durante um ano, indo pra realizar uma função com disciplina, orgulho e satisfação com o que estava aprendendo, sem ter o papel principal, sem visibilidade. Aprendi muito sobre teatro nessa rotina de me colocar muda. A peça tinha 1h20 e eu ficava na coxia uma 1h10 esperando para fazer 30 segundos de cena. Isso fortaleceu minha vontade, disciplina, o entendimento do que é fazer teatro de grupo, ser parte de um coletivo.



O que você aprendeu de mais frutífero no seu tempo de aluna?
Nesse grupo, no meu início, tinha uma coisa ainda experimental dos anos 1970, uma liberdade grande para se fazer como quisesse. O professor também vinha de uma escola mais democrática. Entendi que o teatro carecia de uma certa disciplina e tento impor isso aos meus grupos de trabalho, principalmente na turma avançada. Na iniciação, a gente coloca isso, mas não cobra com tanta intensidade, até porque, na iniciação, a gente não trabalha tanto com textos, e sim com o improviso. Mas no coletivo, como a criação é feita por eles e a partir deles, a ausência e o atraso, o não cumprimento da responsabilidade com o grupo, tudo isso prejudica o desenvolvimento do coletivo.

Desde 2001, a atriz ministra uma oficina gratuita de teatro, no Espaço Cultural Renato Russo. Ela conta que começou em uma oficina aso 13 anos e nunca mais parou

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