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Correio Braziliense

Jorge Antunes anuncia projetos e apresentações em Cuba e em Nova York

Maestro planeja um espetáculo grandioso para uma mixagem de sons eletroacústicos (gravados e ao vivo, com o seu grupo, Gemunb) e companhias de dança do hip-hop


postado em 24/04/2013 08:09 / atualizado em 24/04/2013 09:40

"Fala-se muito em diversidade cultural, mas a música erudita tem sido excluída de uma maneira perversa", disseJorge Antunes (foto: Daiane Sousa/Divulgação)
Jorge Antunes, um dos pioneiros e um dos mais importantes compositores da música eletroacústica no Brasil, completou 72 anos, ontem, e está brindando o aniversário da melhor maneira possível para um artista: com muita criação. A sua agenda está repleta de projetos. Planeja um espetáculo grandioso para uma mixagem de sons eletroacústicos (gravados e ao vivo, com o seu grupo, Gemunb) e companhias de dança do hip-hop. Compôs uma peça para alaúde a pedido de Penélope Maravalhas, instrumentista radicada na Bélgica; e canções para as sopranos Carolina Faria, do Rio, e Elena Mesquita, de São Paulo. Está escrevendo uma nova ópera baseada no conto A cartomante, de Machado de Assis. Na primeira semana de junho, participa da montagem de Olga, dirigida por William Pereira. Ganhou o Prêmio Iber, promovido pelo Centro Mexicano para la Música e las Artes Sonoras, em Morevia. Vai passar dois meses compondo e experimentando no melhor laboratório de música eletroacústica das américas. E, finalmente, excursionará com o grupo Gemunb por Cuba e Nova York.

Raiz brasileira

Que conexões a música eletroacústica permite? “Todas”, responde Antunes. Sempre animado pelo espírito de polêmica. Em 2008, ele apresentou em Brasília, no Rio de Janeiro e em São Paulo, um espetáculo que promovia a junção da música eletroacústica com a de raiz brasileira. Em um dos concertos, o instrumentista Hamilton de Holanda tocava um chorinho de autoria do próprio Antunes. Os sons do bandolim eram injetados no computador e processados ao vivo com música eletroacústica. Em outro, a parceria era estabelecida com o violeiro Roberto Correia. E até o som do Seu Teodoro virou um bumba meu boi eletroacústico: “Havia uma intenção estética e ideológica. Eu queria colocar em primeiro plano os dois gêneros desprezados pelos meios de comunicação: a música erudita e a de origem folclórica”.

Antunes não é um acadêmico enclausurado nos limites de sua especialidade. Ele permanece um observador atento às novas tendências. Quando os alemães do Kraftwerk se autointitularam um grupo de “música eletrônica”, os compositores eruditos resolveram se diferenciar se autodenominando compositores de “música eletroacústica”. Mas Antunes reconhece o valor da chamada música eletrônica que anima as festas rave: “Tenho ouvido peças de música pop e, se tirar a batida, fica muita música eletroacústica de qualidade. Tem coisa ruim e boa”.

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Orça Olga, do maestro Jorge Antunes


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