Consuelo Lins Eduardo Coutinho desveste o mito, o tempo todo. Ele não se idealiza e dissolve aparências em torno da arte do documentário. Não é à toa que faz tanto sucesso, cada vez que fala para a garotada. Coutinho reinventou, de certo modo, o documentário brasileiro em pelo menos em três momentos de sua trajetória, representados por três filmes: Cabra marcado para morrer, Edifício Master e Jogo de cena. Coutinho faz um filme ao mesmo tempo sobre cinema e sobre história do Brasil, dando visibilidade a personagens e acontecimentos anônimos, esquecidos pela história oficial. Este é exemplar de uma radicalização do seu estilo que é o de se ater à fala dos personagens, eliminando elementos estéticos que lhe parecem excessivos. Aqui o documentarista coloca em questão o próprio documentário que fez até então, deixando indistintas as fronteiras entre ficção e documentário. Coutinho criou um modo próprio e original de fazer filmes e nos mostrou muita coisa desconhecida no país. Um modo que só vale para ele, ele insiste em dizer. No trato pessoal, Coutinho é o máximo! Ótima companhia, divertido, mesmo quando conta dramas. Um espécie de humor mal-humorado e um pessimismo-otimista muito instigante para quem está perto" Consuelo Lins é professora da UFRJ e autora do livro O documentário de Eduardo Coutinho: Cinema, televisão e vídeo