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Estado de Minas

Diretores apostam nas vivências pessoais para fazer documentários

Elena e Mataram meu irmão são exemplos. Para os cineastas, é um desafio lidar com os afetos e abrir mão da pretensa objetividade


postado em 08/06/2013 12:59 / atualizado em 08/06/2013 12:57

Diante de um tema, cineastas estão livres para criar, emocionar e, sim, manipular, com os mais variados artifícios. Especialmente no documentário, pelo compromisso com a dita realidade, um senso ético e de responsabilidade pode ser, de modo singular, exigido. A intervenção torna-se ainda mais cirúrgica quando a abordagem ganha contornos, literalmente, familiares. Mapeando cenários e afetos, coletando depoimentos de conhecidos, vários diretores brasileiros têm investido no caminho de examinar e expor suas próprias vivências. Como o diretor Cristiano Burlan (leia entrevista abaixo), que no documentário Mataram meu irmão — premiado no último festival É tudo verdade — reacende circunstâncias que levaram ao assassinato do irmão, Rafael, com sete tiros.

A intimidade também deu sinal verde para a “coisa mais difícil num filme: ter a certeza de que o longa deve ser feito”, nas palavras da mineira Petra Costa, que conduz o documentário Elena, em cartaz em mais de 10 estados brasileiros. Depois do experimento com o curta Olhos de ressaca (2009) — em que revelou a vida em comum dos avós —, Petra optou por narrativa híbrida (“um ensaio construído, em forma de busca”) para relatar, com fundo lírico, a morte da irmã.

Com “tudo tão próximo”, montadoras e roteirista serviram de filtro indispensável. “Foi muito doloroso”, diz Petra. A diretora conta que, num processo contínuo de ressurreição e morte, Elena foi ganhando vida e corpo, a partir de entrevistas e imagens de arquivo, e morrendo de novo. “Quando ela morreu, eu tinha 7 anos; senti como uma criança. Não compreendia que era algo para sempre”, comenta.

 

 

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