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Estado de Minas

Poeta Antonio Cícero ganha prêmio da ABL pelo livro Porventura

Artista conta por que a produção de versos é lenta e escassa


postado em 21/07/2013 04:00



O poeta admite que não sabe contar histórias, mas passa um bom tempo, praticamente o tempo inteiro, tentando agarrar o “passageiro”, aquilo que é breve, transitório. Ele compara o ofício da poesia com um vasto continente. “(…) ser um poeta é uma África”, escreve. E nessa imensidão sem fim, o poeta cego, abandonado pelo ego e pelo próprio ser, continua a versejar. A poesia é um dos temas mais frequentes de Porventura, o terceiro livro de poemas de Antonio Cícero, que, na última quinta-feira, recebeu o Prêmio ABL na categoria poesia. Parece que escrever sobre a própria arte de versejar ajuda a encontrá-la, a agarrá-la e compreendê-la. Mas há outros temas que permeiam os versos e motivam o poeta. O tempo e a efemeridade da vida são alguns deles. “Conhece da humana lida/a sorte:/o único fim da vida/é a morte/e não há, depois da morte,/mais nada”, escreve.

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O conjunto de versos de Porventura é fruto de uma lentidão própria da poesia. Cícero ficou conhecido quando se tornou parceiro da irmã, Marina Lima, ao assinar os versos de canções como Fullgás e Pra começar. A poesia veio em seguida, mas sempre de maneira muito esporádica. Guardar, o primeiro livro de versos, foi publicado em 1996, e A cidade e os livros, em 2002. É assim que a poesia acontece na escrita de Cícero. Os versos de Porventura, que também está entre os finalistas do Portugal Telecom, levaram uma década para tomar corpo e amadurecer. No fim de 2011, quando escreveu um poema chamado Nihil, Cícero achou que podia lapidar o livro excluindo alguns versos, escrevendo outros e modificando uns tantos. A poesia, para ele, é uma forma de acessar outra temporalidade, e independe da vontade e da disciplina do poeta. Ela simplesmente acontece e, quando bate à porta, já vem com a intenção de carregar o autor dos versos. “Quem começa a fazer um poema tem que se deixar levar pelo tempo que ele exija”, alerta.



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