Publicidade

Estado de Minas

Projeto reúne imagens de famosos vestidos como personagens do sexo oposto

A provocação é da fotógrafa uruguaia Diana Blok. As fotos serão projetadas nas paredes do Museu Nacional de Brasília


postado em 29/08/2013 07:08 / atualizado em 29/08/2013 12:21

Cantora Ellen Oléria: Ganga Zumba (foto: Diana Blok/Divulgação)
Cantora Ellen Oléria: Ganga Zumba (foto: Diana Blok/Divulgação)
Ellen Oléria aparece hoje, em imagem projetada no Museu Nacional da República, de cachimbo, barba e bigode grisalhos, no papel de Ganga Zumba, o primeiro líder do Quilombo dos Palmares. A cúpula também recebe Enrique Diaz, com vestido, perucão, luvas e joias de Maria Antonieta. As fotos integram o projeto Adventures in cross-casting, da fotógrafa uruguaia Diana Blok, que repetiu no Festival Cena Contemporânea inusitada provocação concebida, em 1997, para o Theater Institute in Amsterdam (TIN).

Inédita no Brasil, a proposta incluiu sessões de maquiagem e fotografia de atores nacionais, que se transformaram em personagens, sempre do sexo oposto. O resultado vira exposição e será projetado nas paredes do museu, no ponto de encontro do festival. A maquiadora Karin van Dijk, especialista holandesa em maquiagem para cinema, fotografia e teatro, cuidou das caracterizações. No fim do ano, o trabalho de Blok deve chegar ao Rio de Janeiro.

Leia mais notícias em Diversão e Arte

“O mote para esse projeto é que o teatro tem uma longa história de travestismo e representação de gênero, desde a Grécia Antiga. Mesmo hoje, o palco continua uma zona especial, onde a sondagem da identidade sexual e a reconsideração das fronteiras de gênero são continuamente explorados”, explica Blok, em entrevista ao Correio. Ela conta que provocou os artistas com a questão: qual papel originalmente concebido para o sexo oposto você gostaria de representar?

Blok, que mora na Holanda há 30 anos, considera a experiência com a “fotografia encenada” em Brasília “absolutamente incrível, uma verdadeira alegria”. Os atores selecionados vieram, segundo a fotógrafa, com “atitude aberta, curiosa e amorosa, prontos para descobrir esse lado de si mesmos”.

 Ao longo de 35 anos trabalhando como fotógrafa profissional — a maior parte desse tempo no mundo das artes — o trabalho de Blok continua a explorar as fronteiras da identidade e gênero, enquanto a artista se diz cada vez mais convencida de que a identidade é muito mais fluida que o que somos ensinados a acreditar.

“A liberdade de escolher a sua identidade sexual e alterá-la de acordo com o que você sente ameaça muitos sistemas de crenças fixos. Por isso, eu também acredito que esse projeto tem uma razão de ser, neste exato momento no Brasil, onde tanta mudança está em curso. Temos mais liberdade (direitos dos homossexuais) de um lado e um crescente e agressivo conservadorismo no outro”, conclui.

A matéria completa está disponível aqui, para assinantes. Para assinar, clique aqui.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade