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Estado de Minas

Paula Parisot lança ficção sobre personagem que viagem até o Alasca

Em capa dura e com desenhos feitos pela própria autora, o romance terá lançamento acompanhado por uma série de performances a serem realizadas em São Paulo, Rio de Janeiro e Guadalajara (México)


postado em 08/10/2013 08:03 / atualizado em 08/10/2013 08:19

A escritora levou quatro anos para concluir o segundo romance(foto: Gui Mohallem/Divulgação)
A escritora levou quatro anos para concluir o segundo romance (foto: Gui Mohallem/Divulgação)

Paula Parisot, 34 anos, precisou parar tudo e ir desenhar quando percebeu que seu personagem estava parecido demais com o próprio pai. A autora tem pavor de escrever autoficção e regurgitar, como ela diz, suas experiências na cara do leitor. Na época, grávida de gêmeos, Paula percebeu que o livro estava funcionando como uma tentativa de criar uma história para o próprio pai, com o qual mantém relacionamento distante. Durante a gravidez, ela deixou de escrever e passou a desenhar. Distanciou-se do livro para, finalmente, descobrir o personagem de um homem solitário e viajante, cujo único vínculo afetivo é com um marreco que ele deixa na casa de um amigo enquanto empreende uma viagem ao Alasca.

Partir, terceiro livro de Paula e seu segundo romance, levou quatro anos para ficar pronto, mas chegou às livrarias em forma de pacote sofisticado. Em capa dura e com desenhos feitos pela própria autora, o romance terá lançamento acompanhado por uma série de performances a serem realizadas em São Paulo, Rio de Janeiro e Guadalajara (México). A peregrinação de Paula é um pouco como a do viajante do livro, um homem que elege o Alasca como destino final para poder percorrer um trajeto iniciado no sul do continente americano. O importante, para ele, é o caminho, a descoberta de uma América Latina particular e a lembrança de um afeto deixado para trás. O destino é só um destino. Nada de mais.

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O pai de Paula é fissurado pelo Alasca. Tentou ir várias vezes, sempre por terra. O movimento intriga a escritora desde a infância. “Para mim, o Alasca não é o Alasca. É você querer chegar a algum lugar onde possa se sentir em casa, ou algum lugar que não tenha semelhança com o que você já conhece. É como se você pudesse chegar num lugar onde fosse encontrar paz, alegria, se sentir realizado e satisfeito. Ou seja, é um lugar onde você nunca chega. E por isso é longe”, explica a autora, em entrevista ao Correio. O primeiro a ler Partir foi Rubem Fonseca, amigo de Paula há 11 anos e fonte de inspiração constante. “Ele tem um estilo muito conciso, enxuto. Admiro muito. É extremamente difícil fazer isso. Ele me influencia nesse ponto. E em pontos de vista de gosto: o que ler ou não ler. Ele é uma referência para mim”, avisa.

 

Trecho do livro
“Sou um homem que não sabe quantas profissões teve, nem quantas amantes. Nasci numa família de classe média, que paga juros pra se apresentar socialmente e teme o dia de amanhã. Porém, desde garotinho, nunca me preocupei com o que pensam de mim, nem com o futuro.

Não tenho mãe. Ela morreu há anos. A única coisa que restou dela foi uma pequena Bíblia Sagrada de capa dura preta, que ela me deu antes de falecer. Ela queria que eu fizesse a primeira comunhão. Nunca fiz. Mas guardo a Bíblia até hoje.

Não conheci meu pai, mas tive um padrasto que era mergulhador e me levava pra pescar. Eu tinha seis anos. Ficava sozinho segurando um barquinho a remo, quase em mar aberto, enquanto ele mergulhava só com máscara, cinto de lastro, snorkel e arpão. Ele ficava de dois a três minutos debaixo d´água e era capaz de descer a uma profundidade de trinta metros. Ele era bom. Certa vez demorou quatro horas pra desentocar um mero de três metros de comprimento e cento
e sessenta quilos.”

 

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