Jornal Correio Braziliense

Diversão e Arte

Retrospectiva da música tem bons índices da indústria e web consolidada

Se a indústria fonográfica mostrou números positivos, embora tímidos, a internet se firmou como meio de divulgação musical: vitória dos independentes



É evidente a importância no vídeo hoje para divulgar todo tipo de produto. Por isso não se pode falar de discos sem lembrar a avalanche de clipes em faixas bônus de CDs, no próprio formato DVD e, mais recentemente, em suportes e plataformas virtuais, canais como Deezer, Vevo e YouTube, além de sites montados pelas gravadoras e artistas, consolidando a carreira de muitos, resgatando outros e revelando mais um tanto.

O rock andou capengando, enquanto o pop avançou. Se por um lado medalhões voltaram à cena, de David Bowie a Pearl Jam, permanece aberto o espaço para trabalhos interessantes de artistas e bandas como Arcade Fire, The National e Vampire Weekend. No Brasil, os sertanejos cantaram forte nas paradas, seguidos pelo funk, o rap e o samba, ficando bem mais atrás o combalido rock nacional. Na MPB, caras novas representam a esperança de dias melhores em 2014.

Para dançar


Se há duas coisas que ficaram automaticamente na memória em 2013 foram o interminável ;leque leque leque leque; e o ;prepara!”, da Anitta. Finalmente temos uma artista pop de hits pegajosos para competir com as estrelas internacionais Katy Perry, Lady Gaga, Britney Spears e a mais bem-sucedida delas, Miley Cyrus (foto), responsável por um dos clipes mais vistos no ano, o ousado Wrecking ball. Claro que o complexo de vira-latas não admite que artistas brasileiros funcionem tão bem nas pistas quanto os gringos, mesmo a poderosa Anitta, que foi acusada de plágios de danças e figurinos. A grande surpresa nesse segmento foi o resgate do espírito disco do Chic para produzir Get lucky, megahit do Daft Punk: foi Nile Rodgers que trouxe a dupla francesa de volta às paradas.

Novos e velhos


Se estrelas como Artick Monkeys, Strokes, Arcade Fire, Franz Ferdinand e The National agradaram à crítica e público com discos que mantiveram posição nas respectivas carreiras, como vem acontecendo nos últimos anos, muitos veteranos retornaram com estilo. David Bowie (foto) com The next day, Paul McCartney com New e Elvis Costello com Wise up ghost colocaram no chinelo bandas novas bem mais badaladas. E Bob Dylan foi responsável por um clipe inovador, consistente, interativo como gostam os usuários dos novos tempos. Até o Black Sabbath ressurgiu das cinzas, com Ozzy nos vocais no álbum 13. Em 2014, é bom ficar de olhos e ouvidos ligado em alguns os nomes que despontaram este ano: Savages, Sunbather, Steve Wilson, Voivod, Kylesa, These New Puritans, Hookworms e Tame Impala.

Ouvir e pensar


Mesmo que tenha sido impossível passar por qualquer via pública sem ouvir funk de tremer vidros, sertanejos de balada e artistas das duas áreas invadindo o terreno alheio, foi possível ouvir muita coisa com o cérebro. Em um campo tão vasto era natural que houvesse muita variedade. Do peso do Queens of Stone Age com o ótimo ... Like clockwork ao Vazio temporal, de Wado. Uma boa surpresa foi o rapper Kanye West, com experimentações com minimalismo, pop barroco, folk e música erudita no radical Yeezus. Teve ainda a volta ao pop de Ed Motta (AOR), o tradicional revisitado do Vanguart (Muito mais que o amor), o Glorioso retorno de quem nunca esteve aqui, de Emicida, e o Abraçaço, de Caetano Veloso, além do DVD com a vida de Nana Caymmi e muita, muita música instrumental de qualidade.

No garimpo


Por falar em música instrumental, destaque para o segundo CD do mineiro Frederico Heliodoro (Verano). O pai dele, Affonsinho, lançou dois discos. E o segundo, o desencanado e pop Depois de agora, é o melhor. Também mineiros, Érika Machado voltou de Portugal, Vander Lee surgiu repaginado com o oitavo disco, Flávio Venturini lançou o aguardado álbum instrumental e retomou a trajetória do grupo O Terço. Marina Machado (Quieto um pouco), Selmma Carvalho (Minha festa) e Jennifer Souza (É melhor ser) defenderam bem o time das cantoras locais, com Rosa Passos (Samba dobrado) e Ná Ozzzetti (Embalar) na frente das nacionais, com Ana Cañas dando a volta por cima e recuperando a carreira e Clarice Falcão entrando pela porta da frente e tomando de Mallu Magalhães o lugar de fofa da rodada.

No paradão


Mais para constar em um boletim de ocorrência e menos pela qualidade de suas produções, não se pode deixar de citar o desempenho comercial dos artistas da música sertaneja, seguido pelas turmas do pagode, axé, funk e outros gêneros populares, incluindo aí o tal arrocha e o gospel. A lista é grande, mas dois filões merecem ser citados. No funk, a maior revelação foi Anitta, mas logo atrás vieram MC Federado e os Leleques (Passinho do volante) e MC Gui (O bonde passou). Já os sertanejos exageraram nas baladas românticas e refrões engraçadinhos. Entre os primeiros, Luan Santana, Michel Teló e Gusttavo Lima, Paula Fernandes e até a dupla Fernando e Sorocaba. No lado mais esculachado, o que bombou foi o hit Piradinha, de Gabriel Valim.