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Estado de Minas

Atores brasilienses driblam falta de patrocínio e se destacam na cena

Apesar das dificuldades com estrutura, jovens talentos investem na carreira e prometem dar o que falar no palco e nas telas


postado em 08/02/2014 09:19

No meio cultural, eles já são velhos conhecidos. Os frequentadores assíduos dos espaços de Brasília (que acaba de perder o combativo Mosaico), certamente, já cruzaram com os rostos que estampam esta página. Eles querem mais. Disposta a superar as adversidades locais, uma nova geração de atores surge com fome de trabalho, com gana de realizar. Eles querem o grande público. Transgredir a capital e pautar produtores nacionais.

Considerando as recentes premiações, o acúmulo de trabalho, as participações midiáticas, o repertório e um olhar crítico, o Correio selecionou, entre grandes nomes que estão despontando na cena teatral da cidade, cinco jovens que devem se destacar nas artes cênicas. Eles carregam não somente os próprios nomes, mas igualmente as companhias que integram, os diretores com quem trabalham, os colegas de cena, os dramaturgos, os técnicos de produção. No teatro, no cinema e na televisão, eles vão dar o que falar.

Cenário
“Brasília sempre exportou talentos. Não é de hoje. A diferença talvez seja pela exposição no cinema e na televisão”, sugere o diretor Hugo Rodas, célebre nome do Departamento de Artes Cênicas da UnB. Como exemplo, ele menciona um ex-aluno de lá. “Juliano Cazarré ficou conhecido depois do cinema. E, agora, com a televisão. Mas não esqueçam que foi o teatro que o fez”, comenta.

Juliano é cria de Hugo Rodas. Em Brasília, os atores parecem se dividir entre aqueles moldados por Hugo, na UnB, e pelos Irmãos Guimarães, na Faculdade Dulcina de Moraes. Um panorama que tende a se multiplicar. “Os profissionais de cênicas acompanharam o crescimento da cidade. Hoje, temos muito mais oficinas, cursos, seminários, que favorecem o aperfeiçoamento do artista”, lembra Adriana Lodi, experiente atriz e diretora.

O colega James Fensterseifer, diretor desde 2001, chama a atenção para a liberdade de trabalho que pontua a formação do artista brasiliense: “Somos muitos criadores, com diversas ideias, e acabamos tornando nossos palcos propícios para o surgimento de toda uma variedade de habilidosos intérpretes”. Alguns deles aqui destacados. Resista, se for capaz.

Tati Ramos(foto: Bruno Peres/CB/D.A Press)
Tati Ramos (foto: Bruno Peres/CB/D.A Press)

Idade: 28
Destaques: Bacantes e brincantes, com a Cia. Hierofante (apresentado em Nova York e na África). Melhor atriz do Prêmio Sesc do Teatro Candango, por A falecida (2013).
Para vê-la: Tati está em cartaz, este fim de semana, no Teatro da Caixa, com A falecida.
Palavra de fã: “Ela manipula a emoção de uma maneira maravilhosa. Sempre sabe o que está fazendo. Para um diretor, trabalhar com uma atriz assim é muito excitante. Por isso, sempre digo que Tati é minha musa. Se eu fosse o Lars Von Trier, Tati Ramos seria minha Charlotte Gainsbourg definitivamente” — Diego de Leon, diretor e ator.

Tulio Starling(foto: Bruno Peres/CB/D.A Press)
Tulio Starling (foto: Bruno Peres/CB/D.A Press)

Idade: 23
Destaques: Faroeste caboclo, de René Sampaio, e A noite por testemunha, curta de Bruno Torres, pelo qual recebeu o prêmio de melhor ator (ao lado do elenco masculino do filme), no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.
Para vê-lo: Túlio está rodando o longa Jeitosinha, de Johil Carvalho e Sérgio Lacerda, e trabalha na próxima montagem do grupo de teatro ATA, do qual faz parte.
Fã: “Um ator com quem me importo tanto… Já são três anos de trabalho juntos. Ele me impressiona com sua versatilidade e dedicação. Gosto muito de atores criativos como ele. Já tivemos que debater algumas coisas, mas fico muito feliz de tê-lo por perto” — Hugo Rodas, diretor

Mário Luz(foto: Bruno Peres/CB/D.A Press)
Mário Luz (foto: Bruno Peres/CB/D.A Press)

Idade: 24
Destaques: Sexton, de Rodrigo Fischer, Mambembe, de André Amaro, e, Fios de histórias, de Miriam Virna.
Para vê-lo: Mário está em cartaz no Teatro Goldoni,
com Óptica ficcionista, de Abaetê Queiroz, baseado em textos
de Nelson Rodrigues. Em breve, participa da peça Autópsia,
de Jonathan Andrade.
Palavra de fã: “Mário é daqueles atores que vencem os desafios em cena com sua determinação, sensibilidade, paixão e caráter. Características essas que são preciosas para o trabalho do ator” — Rodrigo Fischer, ator e diretor.

Jessica Cardoso(foto: Bruno Peres/CB/D.A Press)
Jessica Cardoso (foto: Bruno Peres/CB/D.A Press)

Idade: 23
Destaques: Sexton, de Rodrigo Fischer. Jessica pode ser vista em algumas campanhas publicitárias na televisão. Também participou de Bacantes e brincantes, com a Cia. Hierofante.
Para vê-la: em abril, ela aparece no espetáculo De carne, osso e concreto. Em junho, ela estreia como diretora em um projeto
sobre identidade de gênero.
Palavra de fã: “Jessica é uma destemida, uma guerreira. Para se manter no teatro, é um trabalho diário. Ela possui a força nessa batalha. Sangue no olho. Não tenho dúvida do talento dela. Irá muito longe” — Adriana Lodi, atriz e diretora.

Davi Maia(foto: Bruno Peres/CB/D.A Press)
Davi Maia (foto: Bruno Peres/CB/D.A Press)

Idade: 17
Destaques: Davi já participou de mais de 15 espetáculos e pode ser visto em campanhas publicitárias na tevê. Montou a própria companhia, a Tripé, ao lado de três artistas.
Para vê-lo: Davi está em cartaz com Conto de inverno, de Shakespeare, na UnB, neste fim de semana. Em breve, poderá ser visto no longa Até que a casa caia, de Mauro Giuntini.
Palavra de fã: “Davi cresceu muito. Ele tem trabalhado em diversas produções e se tornou um ator versátil e disponível à experimentação. Hoje, percebo nele a maturidade necessária para um bom entendimento das cenas” — James Fensterseifer, diretor.

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