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Estado de Minas

Ao Correio, Gregório Duvivier questiona a televisão e aborda as polêmicas

O próximo passo será o cinema, com estreia prevista ainda para este ano


postado em 13/03/2014 06:00 / atualizado em 13/03/2014 10:10

Foi-se o tempo em que o ator e poeta Gregório Duvivier precisava ser apresentado como filho de Olivia, genro de João, neto de Edgar ou marido da Clarice. Hoje, ele transgride qualquer relação e paira, ileso, como um dos principais nomes do entretenimento brasileiro.

(foto: Viola Júnior/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Viola Júnior/Esp. CB/D.A Press)


Na internet, ele já foi visto 800 milhões de vezes, por conta do canal Porta dos Fundos, do qual é um dos proprietários, roteirista e ator. O próximo passo será o cinema, com estreia prevista ainda para este ano. Da televisão, eles não querem nem saber. “Seria contraditório”, comentou Gregório, nesta entrevista exclusiva ao Correio..

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O teatro está na pauta. E a capital do país, como ele antecipou, tem tudo a ver com isso: “O Porta dos Fundos fará um musical sobre política. Fatalmente, teremos que falar de Brasília, cidade que adoro e onde tenho bons amigos.” Os motivos são claros, mas ele fez questão de explanar, com a alma carioca que o acomete. “Isso aí dá samba sim.”



Entrevista

O Fábio Porchat chegou a receber ameaças de morte após um vídeo do Porta dos Fundos. Esse tipo de reação provoca alguma reflexão em vocês?

Nosso trabalho é orientado pelo público, que nos rege. Essas reações exacerbadas e violentas nos fazem pensar sim, mas são oriundas de uma minoria. Uma fração bem minoritária de nossos espectadores. O episódio do Natal, que nos gerou o maior número de problemas — inclusive na Justiça —, por exemplo, conta com 90% de aprovação. Os 10% restantes, em geral, são formados por pessoas que desaprovam o casamento gay, a legalização da maconha, o aborto… Formados pelas mesmas pessoas contrárias às discussões que acho que sejam necessárias. Ou seja, estou do lado certo.

Podemos dizer que o canal de humor de vocês, de fato, milita por certas causas?

Então, o Porta é formado por pessoas diferentes. Somos cinco sócios e cada um de nós carrega um posicionamento em relação à vida. Não há uma postura única como grupo. Cada um tem sua luta. Eu milito contra diversas formas de fascismo. Entre elas, o fascismo religioso, o homofóbico… O Fábio (Porchat) parece já querer chamar a atenção para a questão policial, do fanatismo religioso também… Já não é muito a postura do João Vicente, que talvez seja um pouco mais conservador nesse sentido. Enfim, somos diferentes. Importante dizer que não é a “militância” que nos pauta. Acima de tudo, a piada é razão de a gente escrever.

Você já chegou a se preocupar com sua segurança?

Nunca tive essa preocupação. Na vida real, nunca percebi ninguém sendo agressivo comigo. Parece-me um fenômeno restrito à internet. A agressividade virtual, graças a Deus, não deve ser traduzida como uma vontade real de causar danos à integridade física.

Há uma impressão de que o Porta dos Fundos seja o único coletivo de humor encarando o politicamente incorreto…

Não. Até porque acho que fazemos o politicamente correto. Correto! O incorreto dá a impressão de que exista uma “correção” e de que você esteja sendo incorreto propositalmente. Eu diria que fazemos um humor responsável. Sabemos que, se nos posicionarmos de tal maneira, iremos adotar uma postura política “x”. Prevemos, responsavelmente, o que o nosso humor poderá acarretar, diante desse ou daquele tema. É uma das funções da comédia. De subverter as verdades estabelecidas.

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