Jornal Correio Braziliense

Diversão e Arte

Grupo Motorhead lança álbum de estúdio com 14 faixas indéditas

Não por acaso, boa parte da crítica especializada tem considerado a gravação um marco na longa carreira do grupo



Apesar disso, ou talvez por isso mesmo, se em teoria ;Aftershock; traz Motorhead despachando 14 faixas inéditas, cuja somatória soa tremendamente familiar, na prática, conseguir tocar de forma tão sanguínea e contundente o mesmo tipo de música vertiginosa e pesada, característico de sua origem, não deixa de ser um milagre. Não por acaso, boa parte da crítica especializada tem considerado a gravação um marco na longa carreira do grupo ; hoje, além de Lemmy (vocal, baixo), novamente envergando o clássico formato power trio pela força que emana das performances dos também veteranos Phil Campbell (guitarra) e Mikky Dee (bateria).

Para além da eficácia limpa-trilhos de coisas como ;Queen of the damned;, ;Death machine;, ;End of time;, ;Coup de grace;, ;Paralysed; e ;Silence when you speak to me;, Lemmy e seus asseclas conseguiram projetar à frente de algumas canções menos urgentes a herança recebida dos míticos Robert Johnson e Chuck Berry, que ; debalde a costumeira parede de som do grupo ; sempre esteve a pulsar no âmago de sua obra. Algo evidenciado em especial nas dilaceradas ;Crying shame; (destaque para o órgão Hammond à la Steve Miller Band) e ;Lost woman blues;, além da sombria mescla de ZZ Top e Led Zeppelin (em seus momentos crípticos), que faz da algo estupefaciente ;Dust and glass; a faixa mais atípica da gravação.