Diversão e Arte

Banda Rush lança o DVD 'Clockwork angels tour'

Alex Lifeson, Neil Peart e Geddy Lee mostram mais uma vez que são melhores ao vivo que em estúdio

Estado de Minas
postado em 05/05/2014 09:49
Alex Lifeson, Neil Peart e Geddy Lee mostram mais uma vez que são melhores ao vivo que em estúdio
Excesso jamais foi uma questão capaz de intimidar o Rush. Ainda no vácuo do lançamento da caixa de sete CDs ;The studio albums 1989;2007; da remixagem radical bancada como resposta à controversa manipulação computadorizada utilizada no CD ;Vapor trails; e no DVD ;R30;, o veterano power trio canadense não aguardou sequer seis meses para desovar no mercado o mastodôntico ;Clockwork angels tour;.

Também disponibilizado nos mesmos formatos do prévio ;R30;, o mais recente delírio audiovisual do grupo não só arrasta atrás de si mais de três horas de música ao vivo ; em se tratando do Rush, shows desta duração são de ordem corriqueira ;, além de muita pirotecnia, dois curta-metragens nos quais seus integrantes são mostrados como travessos gnomos em um universo sci-fi dilacerado entre a ordem e o caos, uma orquestra sinfônica, outakes, passagens de som, entrevistas, um documentário da própria turnê, cenas de bastidores e, ufa, uma incomensurável sequência de desconcertantes efeitos especiais.



Mega ultra master A primeira parte do DVD reúne material extraído dos álbuns que o trio lançou ao longo da década de 1980. Alguns ouvintes mais radicais chegaram a fazer comentários maldosos que teimavam em rotular aquela série de canções mais curtas, trespassadas por rajadas de sintetizadores e propulsionadas por batidas eletrônicas como ;new wave;, e certamente até hoje são considerados trabalhos menores em meio à vasta discografia do Rush, no concerto em questão discos como Signals, Power windows, Grace under pressure e Hold your fire conseguem reclamar ; ainda que tardiamente ; seu devido reconhecimento.

Ok, qualquer um que se disponha a escutar de novo as versões originais em estúdio das faixas ;The big money;, ;Territories;, ;The analog kid; ou ;The body electric; invariavelmente irá se deparar com arranjos anacrônicos e aqueles modismos execráveis de estúdio que marcaram a produção musical da época. Mas o trio não deixa mesmo pedra sobre pedra quando explode pelos alto-falantes via um impactante DTS UP Master Audio, que é hoje o máximo recurso em termos de excelência sônica, cuja baixa perda na qualidade de áudio durante a compressão faz com que a resultante final se mostre quase idêntica ao registro original ; embora só disponibilizado nas edições em Blu-Ray, já que a mídia de DVD não suporta o peso de tal recurso. Pura e total devastação sensorial.

Para o segundo DVD, a banda privilegiou releituras do homônimo e mais recente disco ;Clockwork angels;, álbum conceitual que alude tanto a secretas fórmulas alquímicas quanto aos geniais desatinos que deram vida ao steam punk, variante de ficção cientifica antevista por Julio Verne com ambientação em um passado distópico e plena de paradigmas de alta tecnologia que só se viabilizariam séculos depois. Talvez a mais pesada, dinâmica, inventiva e ousada gravação de toda a história musical do Rush, ;Clockwork angels; ressurge ao vivo propulsionado por rompantes de humor e performances sanguíneas de tirar o fôlego. Mesmo atormentado por nada mais nada menos do que três tecnicamente perfeitos ; mas invariavelmente extralongos e maçantes ; solos de bateria(), ;Clockwork angels tour; é prova cabal dos anos-luz de distância que afastam Geddy Lee, Alex Lifeson e Neil Peart do virtuosismo gélido protagonizado não só pelo Dream Theater, mas por toda a facção do assim chamado prog-metal.

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