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Estado de Minas

Panorama celebra uma década de trajetória da artista Clarice Gonçalves

Questões de gênero, da infância e da própria pintura são temas constantes na produção da brasiliense, que expõe no Elefante Centro Cultural


postado em 06/05/2014 08:46 / atualizado em 06/05/2014 08:48

A vertente erótica é explorada por Clarice, sempre de uma maneira muito delicada e lírica: fonte de constituição da condição feminina(foto: larice Gonçalves/Divulgação)
A vertente erótica é explorada por Clarice, sempre de uma maneira muito delicada e lírica: fonte de constituição da condição feminina (foto: larice Gonçalves/Divulgação)

Há sempre algo de subentendido, tenso e não dito nas pinturas de Clarice Gonçalves. Mas é preciso investigar as composições com o olhar e esquadrinhar a tela, porque a sutileza e a delicadeza da mão da artista podem mascarar as intenções. O figurativo e a pintura em tinta acrílica são as ferramentas de Clarice e estão na maior parte das 50 obras que integram Clarice Gonçalves: sutilezas e ilusões, em cartaz no Elefante Centro Cultural. Um panorama que comemora 10 anos de pintura, a mostra vem acompanhada do livro Clarice Gonçalves — O som do silêncio , com textos de Graça Ramos, Juliana Monachesi e Mario Gioia, e um catálogo da mostra.

Reunir obras produzidas ao longo do tempo ajuda a compreender os caminhos percorridos pela artista e sua dinâmica criativa. “A compreensão do que busco fica mais perceptível quando se vê o conjunto”, avisa. “Não trabalho em série e sempre fico rodeando os temas. Na exposição panorâmica, dá para perceber bem isso”. Quatro divisões temáticas orientam a mostra e a artista aponta o segmento dos autorretratos como o início de tudo. Foi com as reproduções do próprio rosto refletido em um espelho que ela começou a pintar, quando começou o curso de artes plásticas na Universidade de Brasília (UnB). Um ponto de partida e, ao mesmo tempo, uma forma de autoconhecimento, as pinturas evoluíram para o rosto de outras pessoas e o trabalho começou a ganhar um sentido mais universal e um desejo de falar de questões de gênero e feminilidade.


Inquietação


O feminino e a condição da mulher na sociedade formam outro núcleo de preocupação constante na produção da pintora. Mulheres cujos rostos mal se vê revelam uma inquietação definida com maior clareza no segmento infância. Clarice pinta muitas crianças e, com elas, se coloca na posição de questionar o lugar dos homens e das mulheres na sociedade. “A infância é a socialização, é aí que começa a divisão de papéis. A diferença de gêneros é posta desde a infância”, explica. O tema ganhou uma sala inteira na exposição.

Clarice Gonçalves: sutilezas e ilusões
Visitação até 6 de junho, de terça a sábado, das 14h às 18h30, no Elefante Centro Cultural (W3 Norte, Qd 706, entre os blocos B/C, Loja 45)

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