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Estado de Minas

Vik Muniz conta como investiga temas que vão da alta cultura a Simpsons

Em entrevista exclusiva ao Correio, o paulista defende arte "mais aberta", mas sem vulgarizá-la. Ele faz parte dos 100 artistas vivos que mais venderam no mundo


postado em 25/05/2014 08:00 / atualizado em 25/05/2014 14:52

(foto: Fotos: Vik Muniz/Divulgação)
(foto: Fotos: Vik Muniz/Divulgação)
Porto Alegre — No primeiro dia da exposição, Vik Muniz fica à espreita, observando o público que toma a galeria. Tira fotos, observa as reações, passeia por entre os presentes e passa, quase sempre, despercebido. “Gosto desse contato. Dessa sensação de pertencimento”, segredou o artista paulista, um dos mais consagrados nomes das artes plásticas brasileiras.

Vik esteve na capital gaúcha, na semana passada, para abrir a exposição O tamanho do mundo, que reúne 70 obras e revisita os 25 anos de carreira do brasileiro, radicado nos Estados Unidos. Trata-se da primeira exposição individual do artista, na região Sul do país. No momento, ele está em Brasília. Veio participar da abertura de Arte para Crianças, que ocupa o CCBB desde ontem e conta com trabalhos de sua autoria.

Em entrevista ao Correio, Vik relembrou o início da trajetória, falou sobre os preceitos que o carregam e comparou o próprio trabalho aos Simpsons. Filho de pernambucanos e nascido em São Paulo, Vicente José de Oliveira Muniz preferiu desbravar a vocação artística em Nova York, para onde foi nos anos 1980. Desde então, chama a atenção pelo material inusitado que emprega nas obras.

Fez, entre outros, uma Monalisa de geleia e um Freud de calda de chocolate. O trabalho com detritos ganhou o mundo a partir do documentário Lixo extraordinário, indicado ao Oscar em 2011. Atualmente, figura como o mais rentável brasileiro nas artes plásticas. “Mas não dou a mínima para isso.”


Ponto a ponto Vik Muniz

Começo
Eu não virei artista. As pessoas, ao meu redor, deixaram de ser. Minha vó nunca foi à escola, mas aprendeu a ler sozinha. E foi ela quem me ensinou. Eu decorava as formas das palavras. Então, aos 7 anos, eu lia livros inteiros, mas não escrevia. Eu era um disléxico autodidata. Por conta dessa leitura por meio de formas, comecei a desenhar muito cedo. Se eu não conseguisse escrever a palavra, eu a “desenhava”.

Retribuição
Eu venho de uma família pobre. Voltar para o Brasil como artista plástico de Nova York... Para eu compatibilizar essas duas coisas, eu preciso enxergar de uma forma maior, de uma maneira real. Precisa ser algo honesto. Então, o único caminho que vislumbro é participando, plenamente, da sociedade. Fisicamente e ativamente. As pessoas me chamam de “ativista”, mas não exerço ativismo político. Quero interagir com cada e todo setor social.

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Mensagem
Eu coloco minha cara à tapa por tentar propor uma arte um pouco mais “aberta”. Sofro com isso. Muitos consideram pouco ortodoxa essa tentativa de sair do nicho da arte. A intenção é tentar produzir algo acessível sem vulgarizá-lo. Mais do que uma mensagem, a experiência que proponho busca ser a mais ampla possível. Tenho preocupações sociais, como cidadão. E tento não as traduzi, de forma muito literal, no meu trabalho. Minha interação com o público não é altruísmo ou coisa parecida. Eu me sinto bem em fazer parte de um contexto maior. Foi a única maneira que encontrei de integrar o cenário cultural brasileiro.

Simpsons
Alguma peça ou outra que faço acaba tendo um apelo erudito. Mas, no todo, é como os Simpsons. Outro dia um cara me disse que era impossível fazer uma arte ou arquitetura que agradasse a todos e eu respondi: “Dá sim”. Perguntei a ele: “Você gosta de Simpsons?”. Depois da resposta afirmativa, retruquei: “Minha filha de 7 anos também gosta. Tá aí”.



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