Diversão e Arte

Produção do primeiro disco de Moreno Veloso destaca a riqueza do músico

O filho de Caetano Veloso convidou grandes nomes da música brasileira para o disco "Coisa boa"

postado em 09/06/2014 08:44
Moreno Veloso compôs a primeira música aos 8 anos
;Meus ídolos são meus amigos.; A revelação de Moreno Veloso não guarda modéstia. Coisa Boa reserva encontros musicais riquíssimos e a calma que a Bahia dá aos músicos da terra. Participações de grandes nomes da música brasileira surpreendem quem gasta alguns minutos lendo o encarte do CD. É bom lembrar que este reserva um espaço generoso para agradecer a todos que contribuíram com a produção.



Os três anos que o disco demorou para ficar pronto são vistos facilmente na riqueza dos arranjos e na finalização das músicas. O tempo também garantiu agendas aparentemente inconciliáveis. Feito possível só para quem compartilha de baianidade. O trabalho reserva espaço para canções de ninar. Uma das heranças que Moreno herdou do pai Caetano. A música vem de berço. A carreira é divida entre produções, como no disco da madrinha Gal Costa, e projetos musicais com o trio %2b2, entre outros.

Confira a entrevista com Moreno Veloso

Teve alguma surpresa na produção dos disco?


Muitas! A participação da Takako Minekawa foi uma grande surpresa. Eu sabia que iria me encontrar com ela, por que tinha uma turnê marcada no Japão. Mandei para ela algumas faixas que a gente já tinha gravado para o disco. Pedi para pensar em alguma coisa para fazer, uma intervenção qualquer que pudesse imaginar ao ouvir. Também mandei uma melodia para ela colocar letra, que acabou virando Onaji sora. Quando cheguei ao estúdio, não sabia o que ela tinha preparado, nem a certeza de que ela havia terminado a letra. Mas, quando nos encontramos disse que queria cantar Num galho de acácias comigo em português uma oitava acima. Não imaginava, por que ela não fala português. Fiquei feliz, por que o CD é experimental.

Todos os trabalhos em que você está envolvido rende uma turnê no Japão. Por que é um país que está sempre na agenda?

O Japão gosta muito de música brasileira. Isso não é mais novidade. Com a modificação na indústria musical no mundo com a chegada da internet e o formato digital, o CD deixou de ser uma fonte de renda, o que prejudicou a segurança dos direitos autorais. O resultado direto do começo dos anos 2000 foi não ter mais dinheiro para as produções. Os japoneses foram um dos últimos bastiões do patrocínio para gente. Como eles sempre firam muito atentos a produção brasileira e viram nossas dificuldades de continuar produzindo, eles nos patrocinam. O disco do Domenico foi patrocinado pelos japoneses. E continuaram todos esses anos bancando, não integralmente, mas a maior parte das nossas produções. São realmente colaboradores do nosso trabalho. Por isso ficamos sempre muito próximos. Trabalhamos juntos. Vamos muitas vezes ao país tocar.

[VIDEO1]

Coisa boa tem participações de muitos artistas. Como conseguiu juntar agendas que podem ser inconciliáveis?

Esse é um dos motivos pelo qual o CD demorou três anos para ficar pronto. Mas são amigos, pessoas próximas. A gente vai ligando, mandando e-mail. Quem puder comparece. Algumas pessoas como Melvin Gibbs e Luiz Brasil gravaram em suas próprias casas e mandaram pela internet. Não encontrei com pessoalmente para gravar.

O contato com o universo artístico começou ainda cedo. Mas por que escolheu fazer faculdade de física antes de se dedicar integralmente à música?

Cada um segue um pouco o seu desejo. Sempre tive muita facilidade para ciências. Achava que a física era uma maneira de continuar trabalhando o pensamento científico e continuar próximo das coisas que gosto. Quis fazer mesmo sem ter a esperança de ser um profissional da física. Fiquei feliz de ter feito. Trabalhei durante muitos anos em um laboratório de espectroscopia aqui no Rio. Liderado pelo Claudio Lemes, que é um cientista cearense excelente. Adorava trabalhar no laboratório. A física experimental é uma atividade de grupo, que é o jeito que gosto de trabalhar. Todos os colegas colaboram, uma parte sempre depende da outra. Tive a sorte ter sido convidado para trabalhar nesse laboratório. Por conta da música eu tranquei a faculdade duas vezes. Me afastava por um ano, depois voltava. Saía e voltava. Fiquei uma década frequentando a faculdade. Chegou uma hora que não dava mais, por causa da questão do tempo. O laboratório era um trabalho árduo. A física não dá para levar de uma forma tranquila, por que é uma matéria pesada. Não conseguia fazer os dois ao mesmo tempo.

Você tem muitos amigos talentosos, grandes nomes do atual cenário da música popular brasileira. Tem algum que enxerga como uma referência?

Meus ídolos hoje são meus amigos.

A matéria completa está disponível aqui, para assinantes. Para assinar, clique .

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação