Diversão e Arte

Diretor Júlio Cavani expõe olhar crítico e fala sobre 'História Natural'

O curta pernambucano foi exibido neste domingo (10/8) no 42º Festival de Cinema de Gramado

Ricardo Daehn - Enviado especial
postado em 11/08/2014 13:03
Gramado (RS) - Em tempos de polêmicas envolvendo animais e seres humanos ; intermediadas pelo bestial poder de opiniões públicas --, o diretor de cinema Júlio Cavani expôs um olhar crítico indireto dos limites entre circo midiático e contemplação de bichos enjaulados, no pertinente curta pernambucano História natural, exibido ontem no 42; Festival de Cinema de Gramado.

"Há um movimento na internet que inocenta o tigre, no caso real que presenciamos na mídia. No mesmo tom, do qual sou partidário, Blackfish inocentou as baleias estressadas pelo homem, no longa documentário. Não condeno zoológicos que têm inclusive função de preservação. As filmagens do meu curta são autênticas e lá, estão sendo feitas reformas, até para trazer de volta valores mais selvagens dos animais. O leão do filme nasceu num circo e viu o pai dele morto por policiais. Agora, ele vive num ambiente em que chega a ter medo dos coelhos jogados para alimentá-lo;, comentou o diretor, em debate, sobre a fita que teve bela acolhida.



[SAIBAMAIS]Sons da cidade intercalados por sons dissonantes e a música ;abstrata; de Marcelo Campello (ex-Mombojó) e Henrique Vaz tratam do climão estabelecido pela fita. ;A interpretação é aberta: mas tive por objetivo apresentar um segredo que está ao alcance de muitas pessoas, mas que poucas são capazes de perceber;, analisa Cavani, ao falar do andamento do enredo bem atrelado à natureza. Batidas em bacia de alumínio, canos de PVC e ;qualquer som, até mesmo sem melodia, visto como melodia (no conceito de Campello); reforçam o grau de mistério, que teve por referência filmes como Mad Max, Alien, um poema de Drummond e o universo gráfico de Moebius. Júlio explica que o andamento da trilha apontou inclusive para novas montagens do material, urdido por mais de ano. Algo entrou de sugestão do músico de bandas como Poruu e Emboás.

Autor de um livro infantil (O coelho e o leão), Cavani deu visibilidade a casulos construídos pelo artista plástico Giuliano Califer. "Queria algo meio animal, meio vegetal", explicou, em torno do material produzido em gesso, em cera de abelha, resina e barbates. ;Repensar o problema dos animais, independe de a história estar situada no presente ou no futuro;, conclui, ao falar da obra que compete por prêmios Kikito e a R$ 25 mil referentes ao prêmio de melhor curta.

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