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Estado de Minas

"Mercado de notícias", de Jorge Furtado, estreia em mostra paralela do BIFF

Vencedor do prêmio de melhor documentário do Cine PE, o filme será apresentado fora de competição na mostra paralela Panorama Mundi


postado em 01/09/2014 08:34 / atualizado em 01/09/2014 10:17

No documentário, Jorge Furtado discute os rumos da imprensa(foto: Fabio Rebelo/Divulgação)
No documentário, Jorge Furtado discute os rumos da imprensa (foto: Fabio Rebelo/Divulgação)

O cineasta Jorge Furtado já foi “alvo” de uma publicação, “na verdade, de um colunista” — que associou seu sobrenome a favorecimento de verba (diante de alinhamento ideológico com “petistas”). Depois de um processo (ganho), o diretor ressalta que não guarda ressentimento de quem o acusou: “Não tem comparação com o massacre midiático que muita gente sofre”. Da sobreposição imprecisa entre fatos e o registro tornado verdade por jornais e revistas é que nasce o desacordo entre o cineasta e parte da imprensa.

Ao traduzir, junto com Liziane Kugland, a peça O mercado de notícias, de Ben Jonson (1625),Furtado sentiu tamanha identidade com o texto, a ponto de ampliar pontos de vista e, num documentário, expôr as múltiplas visões de repórteres entrevistados sobre a profissão. O cineasta, que já aprofundou estudos nos campos das artes, da medicina e do jornalismo (sem direito a diplomas) e ainda foi diretor do Museu de Comunicação Social de Porto Alegre, dá extremo valor à informação. O resultado da incursão de Furtado pelo mundo das notícias será apresentado fora de competição na mostra paralela Panorama Mundi do III Festival Internacional de Cinema de Brasília (BIFF). Confira a programação completa aqui.

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“Não interessa se o suporte do jornal é papel ou digital. Isso importa menos: o que vale é a permanência do jornalismo com credibilidade e feito com critérios”, acredita o também escritor que assina publicações como Um astronauta no Chipre e obras díspares como um livro infantil (Pedro Malazarte e a Arara Gigante) e um romance que traz adaptação moderna para Shakespeare (Trabalhos de amor perdidos). Seja qual for o estilo predominante, uma coisa é certa: Furtado se anima é com descobertas que tornem seu semblante algo pasmado, à altura da aloprada figura de O grito (de Munch) ou, como lembrado na promoção de O mercado de notícias, a santa inventada por Kurt Vonnegut: Nossa Senhora do Perpétuo Espanto.



Confira trecho da entrevista com Jorge Furtado

O mercado de notícias trata da mídia. A internet contribuiu positivamente?

Meu filme é basicamente uma defesa da atividade profissional de jornalistas. Com a internet, num determinado momento, ficou parecendo que não precisava mais ter jornalistas, pois todo mundo é: tem Facebook, Twitter — só que eu achei exatamente o oposto. Nesse momento é que a gente precisa de um profissional treinado, com critérios, que saiba checar a informação, que tenha fontes. Gente com compromisso até de se corrigir, num caso de erro. Ouvi uma frase que eu achei muito boa: “Eu não tenho tempo para ler textos tão curtos”.

Há contraponto a este imediatismo?

Prefiro pegar um artigo de três páginas, entrevistas longas. Quero me aprofundar em alguma coisa. A internet tende a criar nichos. Quando eu leio, procuro ficar em dúvida: ela é que te faz mover para a frente.

No Brasil, a imprensa ainda pode ser marrom; e a elite, branca?

Sou otimista: nunca me senti tão bem informado quanto hoje. Tenho no meu bolso todos os jornais do mundo. Basta a pessoa querer ser bem informada. Antes tínhamos muito menos fontes de informação. Quanto ao papel, é triste chegar à banca de revista. Só tem o tal jornalismo endocrinológico, ao qual o Geneton Moraes Neto se refere no meu filme: tratam de como se emagrece, de como engordar… Quanto à elite brasileira, é totalmente branca. O Brasil é um país com metade da população negra e, num restaurante,  você não vê negros — exceto os garçons.

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