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Estado de Minas

Cineasta Roy Andersson busca amparo nas tragicomédias para afirmar a vida

Vencedor de Veneza cultiva a solidariedade, se inclina ideologicamente à esquerda e destila ironia


postado em 14/09/2014 08:09 / atualizado em 14/09/2014 09:48

Roy Andersson vê a estatueta do prêmio máximo: recusa e consagração(foto: GABRIEL BOUYS)
Roy Andersson vê a estatueta do prêmio máximo: recusa e consagração (foto: GABRIEL BOUYS)


Entre a vergonha de não ter sido mais rigoroso com os prazos e a insolência de saber do seu valor, aos 71 anos, o diretor sueco Roy Andersson deixou escapar, ao jornal britânico The Guardian: “Se não perceberam o valor do material remetido para avaliação pela comissão de seleção de Cannes, talvez não haja razão para estar por lá, de todo o modo.”

Dispensado do festival que, há 15 anos, lhe rendeu prêmio especial do júri, pelo terceiro longa da carreira, iniciada em 1970, chamado Canções do segundo andar, o cineasta não se abateu: inscrito para o Festival de Veneza, levou o prêmio máximo, o Leão de Ouro. Livremente traduzido, o título do filme — Um pombo se firmou num galho, refletindo em torno da existência — é uma expressão do espírito filosófico que embala Andersson. “No fundo, sou eu analisando a existência. Me projeto como um pássaro”, afirmou à imprensa internacional.

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Curioso é que a conquista remete Roy Andersson a uma anedota. Supervisor de escola de cinema, à época da formação do colega, o “direitista” Ingmar Bergman questionou o engajamento político de Andersson, em dura reprimenda, quando esse se aventurou a desfechar críticas ao Vietnã. Em primeiro plano, no quinto longa produzido na vida, o diretor faz questão de alinhar seus elementos de base: “vulnerabilidade, suscetibilidade à humilhação e ausência de empatia”, traços imperiosos da contemporaneidade. “Sou partidário da solidariedade, a favor de uma sociedade que compartilhe”, enfatizou ele, na divulgação do novo filme.

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