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Estado de Minas

Brasiliense Cris Pereira canta a cultura negra em sambas

A cantora gravou uma faixa com Dona Ivone Lara


postado em 02/11/2014 08:02

Cris Pereira: a dama do canto negro
Cris Pereira: a dama do canto negro


Aos 35 anos, 20 deles dedicados à música, Cris Pereira é uma das principais artistas do samba de Brasília. A voz doce de Cris cresce quando ela sobe no palco para celebrar a cultura negra, com canções de Candeia, Leci Brandão e Dona Ivone Lara. Ao lado de Dona Ivone, a cantora brasiliense viveu um dos momentos mais inesquecíveis da carreira: dividir os vocais na faixa Espelho da vida, no CD de estreia Folião de raça. “Eu já sentia a espiritualidade na música dela e, quando nos encontramos pessoalmente, confirmei isso”, frisa. Nesta entrevista, ela fala sobre a trajetória e a cena emergente do samba em Brasília.

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Como a música entra na sua vida?
Primeiro pela porta da memória. Sou de uma família capixaba-carioca muito animada. Então, o ambiente na minha casa sempre foi muito musical. Há coisas que terminam em pizza e lá em casa sempre terminava em música. Minha mãe ouvia muita MPB da década de 1980, como Elis Regina, Nana Caymmi, Djavan; e meu pai era bem sambista. Lembro-me de coleções inteiras de discos de João Nogueira e do Agepê.

Quem são suas influências musicais?

A Elis Regina tem uma influência inegável. Dona Ivone Lara é uma referência mais recente, quando comecei a ouvir, não parei mais. Luiz Carlos da Vila é um poeta que me comove. Ele conseguiu juntar letras e melodias de uma maneira única. Também admiro Paulo César Pinheiro e João Nogueira. Fora do samba, a sonoridade de Milton Nascimento e a interpretação de Nana Caymmi me inspiram muito. Cantar sem procurar perfeição na voz é um desafio para as cantoras da minha geração, e a Nana sempre foi nessa contramão, com a voz rouca e emocionada, preocupada com a música e não com a perfeição.

No seu disco Folião de raça, Dona Ivone Lara participa da faixa Espelho da vida. Foi o momento mais especial da carreira até agora?
Vivi momentos inesquecíveis em pequenas coisas, como um show que fiz com o Batucada de Bamba. O lugar estava vazio, mas estávamos muito emocionados nos apresentando naquele momento. De todas as coisas pequenas e grandes que vivi na minha curta trajetória musical, a gravação de Dona Ivone Lara no meu disco foi inesquecível. Eu já sentia a espiritualidade na música dela e, quando nos encontramos pessoalmente, confirmei isso. No estúdio Cia. dos Técnicos, havia vários artistas, e todos pediam a bênção quando Dona Ivone passava.

O samba em Brasília e no Brasil tem se colocado como um instrumento de valorização da cultura negra?
Em certa medida, sim. À vezes, nem tanto com discursos mais diretos e pegando em bandeiras, mas encontrando outras formas de reforçar a cultura negra. Os últimos trabalhos do Arlindo Cruz têm mostrado elementos da religiosidade afro que também é uma maneira de trazer a nossa cultura. Aqui em Brasília, temos o grupo Filhos de Dona Maria. Todas essas manifestações ajudam a valorizar algo que não é só importante para nós negros, mas para o país como um todo. É uma maneira de reforçar a influência negra Brasil. Cantoras como Mariene de Castro e Fabiana Cozza, Teresa Lopes e eu, de certa maneira, também estão fazendo isso.

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