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Estado de Minas

Livro e exposição homenageiam o centanário do pintor Iberê Camargo

O artista completaria 100 anos nesta terça-feira (18/11)


postado em 18/11/2014 08:02



Foi com tela e tinta da então namorada, Maria Coussirat Camargo, que o estudante do Instituto de Belas Artes de Porto Alegre Iberê Camargo pintou o primeiro quadro às margens do Riacho, na Cidade Baixa. Assim começou o namoro deles e assim nasceu o Iberê pintor, em 1936. A primeira exposição veio em 1942, quando o casal se mudou para o Rio de Janeiro. Os 100 anos do artista gaúcho, que nasceu em 18 de novembro de 1914, traz livro comemorativo com mais de 200 imagens — Cem anos de Iberê, organizado pelo crítico e curador de arte Luiz Camillo Osorio —, além de exposição e seminário, na Fundação Iberê Camargo, na capital gaúcha.

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A mostra ficará em cartaz apenas em Porto Alegre por quatro meses, a partir de hoje, no museu do artista. Iberê Camargo: Século XX foi organizada com base nas principais problemáticas das obras do pintor, além das repercussões de artistas brasileiros contemporâneos, o chamado “efeito Iberê”. Em cartaz a partir de amanhã, com entrada gratuita, a exposição tem curadoria de Icleia Borsa Cattani, Jacques Leenhardt e Agnaldo Farias.

Segundo os organizadores, o formato convencional de mostras comemorativas será deixado de lado para que se possa demonstrar a potência da poética de Iberê Camargo. A ideia é criar diálogos, relações de vizinhança e tensões entre as pinturas, gravuras e desenhos do gaúcho, com uma grande variedade de linguagens, incluindo escultura, instalação, fotografia, literatura, dança e cinema.

Dezenove artistas brasileiros de gerações variadas — alguns deles conhecedores da obra de Iberê, outros, não — terão suas obras expostas em conjunto por todo o prédio projetado por Álvaro Siza. Obras importantes dos grupos de pinturas, desenhos e gravuras de Iberê Camargo, pertencentes às séries “Ciclistas”, “Carretéis”, “Explosões”, “Espelhos”, “Fantasmas”, “Sombras” e “Manequins”, vão preencher as salas expositivas.

Biografia
Artista de rigor e sensibilidade únicos, Iberê Camargo é um dos grandes nomes da arte brasileira do século 20. Autor de uma obra extensa, que inclui pinturas, desenhos, guaches e gravuras, Iberê Camargo é admirado por artistas do mundo inteiro. Durante a estada na Europa, quando viajou por meio de um prêmio conquistado com sua obra exposta na Lapa, Iberê conheceu grandes mestres da pintura e estudou gravura e aprendeu técnicas de pintura com Giorgio De Chirico, Carlo Alberto Petrucci, Leoni Augusto Rosa, Antonio Achille e André Lhote.

No Brasil conquistou inúmeros prêmios e participou de diversas exposições internacionais, tais como Bienal de São Paulo, Bienal de Arte Hispano-Americana em Madri, Bienal de Veneza, Bienal de Gravuras em Tóquio, entre outras exposições importantes. Foi no final dos anos 1950 que, devido a uma hérnia de disco que o obrigou a pintar no interior de seu ateliê, o artista desenvolveu um dos temas mais recorrentes em sua pintura: os Carretéis. São estes brinquedos de sua infância que o levaram, mais tarde, à abstração, e que estiveram presentes em sua obra até a fase final.

Na década de 1980, retomou a figuração. Mas, ao longo de toda sua produção, nunca se filiou a correntes ou movimentos. Em 1982, retornou a Porto Alegre, onde produziu duas de suas séries mais conhecidas: as Idiotas e os Ciclistas. Iberê Camargo faleceu em agosto de 1994, aos 79 anos, deixando um grande acervo de mais de 7 mil obras, entre desenhos, gravuras e pinturas. Grande parte desta produção foi deixada a Maria, sua esposa e companheira inseparável, cuja coleção compõe hoje o acervo da Fundação Iberê Camargo.

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