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Estado de Minas

'Eu tenho muito orgulho de ser mulher e negra', diz viúva de Mandela

O segundo dia da Flink Sampa recebe palestras e debates com os escritores Paulo Lins e Conceição Evaristo, e a ativista Graça Machel


postado em 23/11/2014 17:27 / atualizado em 23/11/2014 20:58

São Paulo – Graça Machel, ativista negra e viúva de Nelson Mandela, esteve presente, neste fim de semana, na segunda edição da Flink Sampa – Festa da Literatura, Conhecimento e Cultura Negra, que ocorre no Memorial da América Latina, em São Paulo. Em palestra, Graça falou que a luta sobre o fim do machismo está nas mãos das mulheres e dos negros. Por isso, a importância da frase que abriu o discurso: “Eu tenho muito orgulho de ser mulher e negra.”

Graça também lembrou que já existem mulheres presidentes no continente africano e falou sobre o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que, além de negro, é filho e neto de africanos. “Isso é simbólico e o símbolos são muito importantes. As crianças de hoje precisam crescer sabendo que nada é impossível.”

Domingo de debates


O segundo dia da Flink Sampa – Festa da Literatura, Conhecimento e Cultura Negra teve início com a mesa Letras Carolianas: Gênero, violência e atitude feminista, com Conceição Evaristo, Rafaella Fernandez e Cristiane So%u200B%u200Bbral. O bate-papo, na biblioteca do Memorial da América Latina (SP), abordou a obra da homenageada desta edição, a escritora Carolina Maria de Jesus, e as  questões raciais na literatura brasileira.

Carioca radicada em Brasília, a escritora Cristiane Sobral frisou a importância de negras e de negros no espaço literário. Cristiane é a única mulher negra a ocupar uma cadeira na Academia de Letras do Brasil.

Rafaella, uma das principias estudiosas da obra de Carolina de Jesus, destacou a relevância da obra de Carolina, como os livros emblemáticos Quarto de despejo e Diário de Bitita. De acordo com a pesquisadora, Carolina tem aproximadamente 161 obras, entre elas, 111 poemas, sete romances e cinco peças de teatro, contabilizando mais de cinco mil páginas com escritos.

“Em sua escrita, Carolina Maria de Jesus constrói uma teoria sobre as relações de poder, mas faz isso com base na prática. No início do século 20, ela já questionava o fato do trabalho feminino ser subvalorizado e a invisibilidade que atravessava as mulheres daquela época”, afirmou a professora e escritora Conceição Evaristo.

Festa da cultura negra

A Flink Sampa está na segunda edição e nasceu do desejo de promover os autores da literatura negra brasileira. “Não sabemos quem são eles, onde estão e o que produzem”, desabafa o professor de literatura Ueliton Alves, idealizador do projeto. “A Flink surge depois da Feira do Livro de Frankfurt. Naquela ocasião, aproximadamente, 70 autores foram convidados para participar do evento. Apenas um, Paulo Lins (Cidade de Deus), era negro. Temos ótimos escritores negros. Porque não coloca-los em voga? Existem mais de 200 festas literárias no Brasil e nenhuma delas foca na questão negra. A Flink vem para empoderar a obra desses escritores e promover o intercâmbio literário com as 54 nações africanas”, completou.

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