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Estado de Minas

Aos 100 anos, Tião Oleiro conduz gerações por meio da congada

Sanfoneiro fala ao Correio sobre a herança cultural que deixa para os jovens


postado em 30/11/2014 08:11

Tião Oleiro nasceu em 14 de maio de 1914, em Ceará-Mirim, terra dos engenhos. Começou a brincar congada nos congos de Saiote ainda na infância. Aprendeu com o pai as artimanhas do folguedo, uma tradição familiar. A herança cultural que deixou para região, cerca de 30km de Natal, capital do Rio Grande do Norte, é única. Quando assumiu a função de mestre, fez uma homenagem aos homens que iam para guerra e passou a chamar a congada de Congo de Guerra. Mesmo com 100 anos, ainda conduz gerações por meio da cultura genuinamente popular. Trabalhou a vida inteira no Engenho Guanabara e, para ele, todo o conhecimento de hoje veio de lá. Aprendeu a tocar fole de oito baixos sozinho. Bom de memória e de ouvido incorporou à dramatização do congo músicas de sua própria autoria. Da terra e do céu”, conta. O mestre Tião Oleiro acaba de receber do Ministério da Cultura a medalha Ordem do Mérito Cultural em 2014.


O seu nome de batismo é Sebastião João da Rocha.Como o senhor virou Tião Oleiro?
Meu avó se chamava José Sebastião. Morava no sertão do Seridó. Sempre foi um trabalhador. Fazia telha na olaria do Zé Bezerra. Em um dia de pagamento, não apareceu. O homem que repassava o dinheiro perguntou onde ele estava. Disseram que havia ido almoçar. Então, ele resolveu escrever na certidão de trabalho dele Zé Oleiro. O apelido do velho passou para o meu pai, o filho mais velho, mas também para todos irmãos. Foi assim que o nome chegou até mim.

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Como o senhor aprendeu a tocar sanfona?

Eu nem queria aprender isso, mas via os outros tocar e achava bonito. Aprendi já adulto e tinha um irmão que tocava, ou seja, não tinha muita saída. Mas eu era meio fraco. Havia uns caras que tocavam melhor. Meu irmão tinha uma sanfoninha jeitosinha. Era mais para aprender, então não ligava de ela ser simples. Um dia, falei com um colega, dono de um cavaquinho muito bom: “Vamos fazer aqui um tango para ver se dava certo.” Pensei: “Rapaz, acho que isso não vai ter saída.” Passaram uns anos, teve um baile animado, num sábado à noite, mas não tinha tocador. Mandaram me chamar. Fizemos um pagode danado. De manhã, ganhei 5 mil réis. Saí contente e paguei os outros músicos. Isso aconteceu em 1933. Toda as vezes que tinha uma festa me chamavam. Assim, aprendi a tocar de tudo.

Como começou no congo?

Meu pais foram meus mestres para brincar o congo. Ele era um homem animado, assim como eu. Passou tudo o que sabia para nós. Meti na cabeça que ia ser Mestre do Congo, Congo de Guanabara. Daí, arrumei 18 componentes para fazer parte.

Do que tem mais orgulho de ter feito na vida?
De ter sido um camarada lindo. [Risos]. Eu me orgulho de toda a minha vida cultural, do trabalho, da animação em ser um bom artista, de ter sido um bom colega e de ter os amigos que tenho hoje.


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