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Estado de Minas

Flipobre reúne escritores para festival literário na internet

Idealizado pelo escritor Diego Moraes, o evento reúne escritores de todo o país em debates que serão transmitidos ao vivo pela web


postado em 05/12/2014 08:02 / atualizado em 05/12/2014 11:41

“Leitor, este animal em extinção na fauna brasileira. A internet está aí servindo como zoológico. Se virem! Façam a revolução.” Foi por pensar assim que o escritor amazonense Diego Moraes resolveu criar a Flipobre, feira literária virtual, em vez de apenas se juntar ao grupo dos que reclamam por não receberem convites para grandes feiras e eventos literários.

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A iniciativa, nomeada com a sacada irônica de Moraes, acontece neste domingo (7/12) e é transmitida ao vivo pela internet no canal criado para o festival. O homenageado escolhido para a primeira edição é o escritor Lima Barreto.

“Minha intenção é dar voz aos caras que estão longe do eixo Rio/SP ou não desfilam em eventos glamourosos. O escritor luta para inventar leitores. A Flipobre é só mais um canal para atrai-los”, explica o escritor de Manaus, autor de A solidão é um deus bêbado dando ré num trator (Bartlebee Editora).

Na programação, sete mesas discutirão, via web, o machismo na literatura, o papel da internet na divulgação literária e a quantidade de leitores em relação ao número de escritores no país, entre outros temas. Ricardo Lísias, Carlos Henrique Schoereder, Tadeu Sarmento, Roberto Menezes e mais uma lista grande de autores compõem o time que debaterá os assuntos no domingo.

O paraibano Roberto Menezes é autor de Palavras que devoram lágrimas (Latitudes/e-Galáxia) e, além de participar das discussões, foi convidado por Moraes para colaborar na organização. “A ideia é de Diego Moraes. Eu achei genial. Ele me chamou e a gente formou a parceria na organização.” Para o escritor, a dimensão que a iniciativa ganhou vai além do que imaginaram.

A ideia é que a Flipobre possa ajudar a levar a obra de novos autores mais longe. “Do ponto de vista de divulgação literária, acho que muitos escritores no Brasil não se conhecem. Se não se conhecem, não divulgam um ao outro. E falo isso pensando em literatura, não em camaradagem, que também rola, mas não é o ponto fundamental do processo. O evento vem pra ajudar”, explica Menezes.

Na web

“Boa literatura fura qualquer bloqueio. O lance é que o elitismo literário investe pesado em marketing e propaganda. E muita gente fica de fora por não ser apadrinhada ou seguir a cartilha de panelinhas”, acredita Moraes. Para quem pretende driblar as regras do mercado editorial e conquistar destaque fora do eixo Rio/São Paulo e das grandes editoras, a internet é uma ferramenta de muito valor.

“O problema de muito escritor é não saber como usar esse novo universo aberto na sua frente”, considera Menezes. Para o autor, muitas vezes a qualidade literária fica um tanto esquecida em detrimento da divulgação a todo custo. “Alguns pensam que grandes escritores que estão por aí pela internet surgiram semana passada.”

Grande parte dos autores que participarão da Flipobre se conheceram pela web, que possibilitou a escritores do Norte e Nordeste manter contato direto com outros do Sul, por exemplo. Para Menezes, é isso que vem dando um novo ar à literatura produzida no país. “Esse intercâmbio é que está mudando a cara da literatura brasileira. Do começo dos anos 2000 para cá, a literatura não é só livro publicado, é blog, revista, post de Facebook. Como toda mudança, isso demora a ser visto. É complicado enxergar algo no meio de um furação, quando esse furacão se estabilizar, é que a gente vai poder ver em uma resolução melhor.”

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