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Estado de Minas

Vinte anos após a morte de Tom Jobim, sua obra está longe de ser superada

Tom Jobim deixou 13 músicas em processo de criação. Elas pareciam prontas, mas, para o autor, ainda não estavam boas o bastante


postado em 07/12/2014 08:00 / atualizado em 07/12/2014 15:52

(foto: Ana Jobim/Divulgacao)
(foto: Ana Jobim/Divulgacao)


Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim detém, há várias décadas, o título de mais importante compositor do país. Muito do prestígio vem, além do número infindável de canções marcantes que criou, do fato de ter levado a música brasileira para o primeiro escalão do showbiz internacional. Contudo, a canção mais emblemática da carreira, Garota de Ipanema, parceria com Vinicius de Moraes e responsável por projetar o artista carioca mundo afora, foi uma das que menos gerou lucros para ele.

Amanhã, completam-se 20 anos da morte de Tom, e a obra erguida por ele entre os anos 1950 e 1994, agora preservada pela família, está longe de ser superada. De um lado, o Instituto Antônio Carlos Jobim, criado em 2001 no Jardim Botânico da cidade do Rio de Janeiro, tem cuidado do acervo pessoal do compositor com objetivo de que ela alcance cada vez mais pessoas, no Brasil e no mundo, sob a responsabilidade de um dos filhos do artista, Paulo Jobim. De outro, a editora Jobim Music, dirigida pela viúva, Ana Jobim, se dedica a resguardar e difundir a vasta obra do compositor.

De nada valeriam os esforços dos herdeiros se Tom Jobim não tivesse tocado definitivamente a alma do povo brasileiro com suas composições. Canções como Chega de saudade, Desafinado e Samba de uma nota só mantêm-se vivas no imaginário popular e ajudam a contar a história do país no último meio século. Quando morreu, o perfeccionista Tom Jobim deixou 13 músicas em processo de criação. Elas pareciam prontas, mas, para o autor, ainda não estavam boas o bastante. Além disso, no arquivo dele, havia outras 181 partituras inéditas. O compositor descobriu um câncer na bexiga e morreu durante o tratamento nos Estados Unidos, de parada cardíaca.

“Não foi Tom que levou a música brasileira para fora. Foi a música dele que o levou”, opina Danilo Caymmi, que tocou na banda do artista entre 1983 e 1994. “Tom tinha uma compreensão profunda do povo brasileiro.” Ana Jobim disse ao Correio que a família não planejou nada para marcar a passagem pelos 20 anos de morte do maestro soberano — como o amigo e parceiro Chico Buarque o chamava —, mas que devem celebrar o aniversário dele, em 25 de janeiro. “Este, na verdade, é um momento doloroso”, comentou a viúva.

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