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Estado de Minas

Guitarrista Ítalo Cunha ganha destaque nas noites de Brasília

O jovem, de apenas 22 anos, estudou nos Estados Unidos e agora busca se consolidar na capital


postado em 04/01/2015 08:03 / atualizado em 05/01/2015 18:58

Apesar da pouca idade, Ítalo já arrancou elogios de grandes nomes da música(foto: Arquivo pessoal)
Apesar da pouca idade, Ítalo já arrancou elogios de grandes nomes da música (foto: Arquivo pessoal)


Aos 22 anos, Ítalo Cunha construiu uma trajetória musical maior do que a pouca idade parece comportar. Após estudar por três anos e meio na Berklee College of Music, em Boston, tida por muitos como a melhor instituição de música do mundo, e conquistar o bacharelado em música e especialização em performance, o jovem guitarrista retornou ao Brasil para tocar projetos com seu trio. Ele é, certamente, um dos destaques musicais da cidade, tendo se apresentado e recebido elogios de nomes de peso, como Ivan Lins e Lee Ritenour, além de conseguir boas colocações em concursos internacionais, como o Six Stream Theory Competition, em Connecticut, Estados Unidos, e ter feito turnê na Europa. Nesta entrevista, Ítalo fala sobre a carreira, a experiência de tocar com gente de várias partes do mundo e as perspectivas de trabalho em Brasília.

Como foi o seu primeiro contato com a música?
Tinha 5 anos quando coloquei as mãos pela primeira vez em um instrumento musical. Morava na casa da minha avó, com uma tia, Sônia Freitas Carvalho, que era professora de piano na Escola de Música de Brasília, e também dava aulas particulares. Ela me orientou e me ensinou a soar os primeiros acordes, que mudaria a minha relação com a música.

Desse ponto até chegar à guitarra, como foi o processo?
Cinco anos após as lições de piano com a tia, parti para instrumentos de corda. Foi quando meus pais decidiram me colocar na escola Toque de Classe, na qual tive aula com os professores Henrique Henriques e André Alessandro. Durante três anos e com uma Giannini SuperSonic, que pertenceu a minha mãe, dediquei-me à música. Era das 8h até o Sol se pôr. Não queria saber de outra coisa que não estivesse relacionada com o instrumento.

Quando resolveu que gostaria de ser músico? Qual foi a reação dos seus pais?
Cheguei para os meus pais e disse: “Estou pensando em ser músico”. Ao ver o filho de 12 anos falar esse tipo de coisa, a primeira reação foi de rejeição à ideia. No entanto, não tiveram para onde fugir. Passei a me dedicar com intensidade cada vez maior à música.

Um ano depois, você ganhou um prêmio. Como foi isso?
Ganhei o prêmio de revelação da escola Toque de Classe. Ainda em 2005, toquei em um congresso do Ministério da Educação, representando a Escola da Música de Brasília como um dos alunos superdotados. Mas não acredito que mereça essa classificação. Um ano depois, ainda por meio da rede social Orkut, o guitarrista de jazz Nelson Faria me parabenizou pelo trabalho que estava fazendo. Dessa forma, ganhei a permissão dos meus pais para continuar na carreira.

De que maneira parou nos Estados Unidos, na Berklee College of Music?
“Quero estudar na melhor escola de música do mundo”, disse, na época, em referência a Berklee College of Music, em Boston, Estados Unidos. Vi nomes como Steve Vai, Pat Metheny, John Mayer, Dream Theater, que passaram por lá, e decidi que iria. Peguei um voo para a cidade, fiz um curso de verão na faculdade e, por meio de uma audição, consegui, aproximadamente, 70% de bolsa para o curso de bacharel em música e especialização em performance. Como tinha apenas 16 anos e ainda não havia concluído o ensino médio, meus pais me emanciparam, fiz um supletivo e terminei o segundo e o terceiro ano. A partir daí, embarquei para os Estados Unidos e fiquei por lá durante quatro anos.

Você tinha apenas 16 anos quando chegou à faculdade.Conte um pouco mais da experiência de sair de casa tão cedo.

Minha rotina nos primeiros dois anos era de assistir a algumas disciplinas com matérias básicas. Durante a manhã, ficava com aulas teóricas, de percepção, e, durante a tarde, eu tinha lições práticas em conjunto e com professores. Quando chegava a noite, comia meu jantar e ia tocar uma jam, que funciona como um improviso. Acabei conhecendo muita gente lá desse jeito.

Como era o ambiente na Berklee?
A duração normal da faculdade de música é de cinco anos, mas como já tinha uma base sólida na guitarra, acabei concluindo o curso em três anos e meio. Ao longo desse período, vivi uma imersão musical 24 horas por dia, sete dias na semana. Convivia com pessoas de todo o mundo. Conheci gente que vinha desde o extremo da América do Sul até a ponta da Rússia. Era engraçado porque, por diversas vezes, o pessoal não falava bem o inglês e era bem difícil de se comunicar, mas bastava escolher uma música para que isso acontecesse. Viramos amigos pela música.

Olhando para trás e analisando a experiência que teve nos Estados Unidos, qual é o saldo?
A melhor coisa que eu aprendi lá não foi dentro da faculdade, mas foi com a convivência com músicos de todas as idades. Havia talentos incríveis. Imagine quatro quarteirões repletos de música, cada um com a própria bagagem cultural e musical. Era muito bom. Durante os meus estudos na faculdade, fui convidado para tocar com Lee Ritenour em um auditório lotado. Lembro até hoje que ele abriu um espaço para eu solar. Depois do show, disse que tinha gostado muito. Um ano depois, fiz parte da banda que se apresentou ao lado de Ivan Lins e de uma orquestra.

Conte um pouco mais da turnê que fez na Europa.
Um colega norueguês uniu alguns músicos e fez um convite para uma turnê na Noruega. O grupo era formado por mim, esse norueguês, que era clarinetista, um baixista e um baterista americanos e um pianista japonês. A maioria dos músicos era superdotado, já tinha uma carreira no país de origem e já havia se apresentado na televisão. Esse clarinetista nos convidou e resolvemos ir. O bacana era que respeitavam muito minha opinião e conhecimento musical. Na Noruega, fizemos uma apresentação em um programa de tevê, cinco ou seis shows, tocamos na rádio e o ponto alto foi participar do festival de jazz de Oslo, que é bastante conceituado.

Depois de terminar o curso, você passou um ano morando em Nova York. Como foi a vida após a conclusão das aulas?
Ao fim da turnê, voltei para Boston para concluir o curso. Com o diploma, teria o direito de permanecer por mais um ano nos Estados Unidos com um visto de artista. De Boston, decidi morar por um ano em Nova York, onde continuei a praticar guitarra e fazer shows. Lá, fiz parte da Charlie Rosen’s Broadway Big Band, que se apresentava em um clube da Brodway chamado 54th Bellow. Também toquei para mais de mil pessoas no Institute of Contemporany Art, sob o nome de Ítalo Cunha Trio. Com uma bagagem de mais de 100 composições próprias e alguns singles lançados, chegou a hora de tomar uma decisão de ficar por mais tempo ou voltar para o Brasil.

E como foi tomar a decisão de Brasil? Por que não ficou fora do país?
Sentia falta do convívio familiar. Se renovasse, ia completar quase nove anos fora de casa. Coloquei na balança, e vi que realmente fazia falta para mim.

Qual foi o sentimento ao voltar para Brasília? Sentiu muita diferença?
Voltei para o Brasil em julho do ano passado. É claro que é um pouco diferente. Tive medo de estacionar a carreira, mas a música tem me dado bons frutos. É como se eu regressasse como músico profissional. O primeiro show foi no Feitiço Mineiro, com o baixista Lucas Rodrigues e com o baterista Renato Galvão. Tocava desde meus 12 anos de idade, fechei um ciclo. Depois de 10 anos, estávamos tocando juntos de novo.

Quais os planos para o futuro?
Tenho dois projetos diferentes, ambos sob o nome de Ítalo Cunha Trio. O primeiro com a formação citada anteriormente e o segundo, acompanhado com os músicos Jonathan Gardeners e Bruno Gafanhoto, baixista acústico e baterista, respectivamente. Atualmente, tenho feito workshops e shows, além de estudar direito, carreira que pretendo seguir em paralelo com a de músico. Pretendo lançar um disco em breve, que está em fase de pré-produção.

Com informações de Mateus Vidigal

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