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Estado de Minas

Artista plástico Paulinho Andrade fala sobre a Brasília contemporânea

Em entrevista ao Correio, ele adianta que transformou o luto pela perda da mulher em peças que farão parte de exposição


postado em 18/01/2015 08:04 / atualizado em 17/01/2015 19:03

Paulinho Andrade:
Paulinho Andrade: "Tem coisas muito legais acontecendo na cidade. Uma delas são as hortas comunitárias" (foto: Facebook/Reprodução)

Aos 61 anos, o artista plástico Paulinho Andrade não cansa de buscar desafios. Representante de uma geração que transpirava arte e aprendeu a respingá-la pela cidade — com intervenções culturais, como o Concerto Cabeças —, ele acredita que cultura é necessidade básica, tal qual a água e a comida. Arte, para ele, é uma forma de representar as próprias experiências com o mundo. Não se calou nem mesmo quando perdeu a esposa para o câncer, em 2010. Transformou o sofrimento em série de pinturas e desenhos que pretende expor ainda neste ano. Ao Correio, Paulinho fala sobre essas experiências e sobre os novos tempos de Brasília.

Como descreve sua relação com a cidade?

Estive em Brasília, pela primeira vez, em 1969. Minha família é de Minas, vim do Rio de Janeiro com a família para conhecer a cidade. Mas a sensação não foi muito boa. Foi muito estranho porque estávamos embaixo de uma ditadura militar e a sensação era de que isso aqui era o último fortim do regime que ia cair. Mas havia algo de que eu gostava muito: a Biblioteca da Universidade de Brasília, que ficava aberta 24 horas por dia. Isso era muito bom, porque havia poucos cinemas e eu passei uns 10 dias na biblioteca, adorei. Em 1977, eu fiz uns amigos aqui que foram ao Rio e, como a situação estava ficando muito difícil para mim por lá, decidi vir para Brasília e ficar dentro do último fortim da ditadura. Pensei que aqui eles não iam se preocupar comigo, não iam me encher o saco e eu ficaria quieto (risos). Então, descobri uma cidade completamente diferente daquilo que eu imaginava. Era uma cidade fantástica. Não tinha o mar, mas possuía um céu maravilhoso, onde era possível viajar. A gente viaja no céu de Brasília.

A identidade da cidade era mais consistente que hoje?
Ela ainda existe, mas foi um pouco apagada pelas invasões a que fomos submetidos nos governos que considero não democráticos, como o do Roriz, por exemplo. Foi uma coisa horrorosa, deixou a cidade sem infraestrutura e sem emprego. Traziam eleitores sem oferecer condições de vida. Isso deturpou muito a cidade. Hoje, a gente tem uma cidade com uma cultura própria, mas, lamentavelmente, tudo o que a gente vê, fora um núcleo que ainda resiste, é de uma indigência cultural muito grande. Uma classe média muito estranha acabou se firmando em Brasília. Contudo, tem coisas muito legais acontecendo na cidade. Uma delas são as hortas comunitárias, que juntam o prazer de produzir alguma coisa que se coma com o prazer da cultura. A proposta é chamar um músico, uma banda para tocar no dia de plantar uma semente. Acho que esse é o novo enfoque do viver cooperado de Brasília. Antes era assim, tudo acontecia de forma cooperativa.

Você acompanha o trabalho dos coletivos culturais?
Pouco. Estou voltando para Brasília agora, depois de alguns anos morando fora, nos Estados Unidos. Estou retomando o contato agora. Esse último ano foi um período de assentamento, de montagem de projetos.

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