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Estado de Minas

Quadrinista Mateus Gandara, morto aos 28 anos, deixou projetos prontos

Entre eles, dois roteiros de histórias em quadrinhos


postado em 25/01/2015 08:01

Realizados para amigos nas mais diversas ocasiões, os desenhos de Mateus Gandara carregam um traço livre e se concentram em figuras humanas(foto: Reprodução)
Realizados para amigos nas mais diversas ocasiões, os desenhos de Mateus Gandara carregam um traço livre e se concentram em figuras humanas (foto: Reprodução)
Traço livre, intensidade, velocidade e uma capacidade grande de produzir muito em pouco tempo são definições recorrentes quando se percorre o mundo brasiliense dos quadrinhos com um pedido de depoimento sobre Mateus Gandara. O artista morreu no último dia 14, aos 28 anos, em consequência de um câncer. Não teve tempo de terminar o curso de artes na Universidade de Brasília (UnB), mas mergulhou no tempo que tinha para colocar no papel a torrente de criatividade que passava por sua cabeça.

Com a Vudu Comix, selo que fundou em 2013 para dar vazão ao próprio trabalho, ele publicou Mondo colosso e Flagelos noturnos, uma pareceria com Heron Prado. Antes, fez HQs para as três edições da revista Samba e alguns zines como Bizonho e Canis liber. Na gaveta, ele deixou pelo menos três projetos. “Nos últimos anos, o trabalho amadureceu bastante, acho que em função das vivências dele. Acho que ele intuía que tinha pouco tempo e intensificou a produção. Não sei se por isso, mas era um cara que tinha uma produção intensa e veloz”, lembra Lucas Gehre, que conviveu com Mateus na Lage e durante as três edições da Samba.

Entre os projetos que o quadrinista pretendia realizar, o mais completo e acabado é o Diário estético e ético da putaria, conhecido entre os amigos como Deep. A ideia nasceu durante uma feira de arte erótica organizada no ano passado pela galeria Objeto encontrado. A partir dos desenhos concebidos para o evento, Mateus idealizou uma HQ na qual mostrasse casais fazendo sexo. Mas não bastava ao quadrinista imaginar a história. Ele queria presenciá-la. Natural, para um estudante fascinado pelo desenho de corpos e de modelos vivos. Pelo menos dois casais e uma moça foram retratados sob condição de anonimato. Jessica Gandara, irmã de Mateus, ainda não sabe exatamente o tamanho da HQ, mas tem certeza de que ela estava pronta para ser publicada. “Ele me contou, antes de começar o projeto, que era uma coisa meio voyeurística. Ele queria ficar próximo à intimidade das pessoas, mas sem interagir”, conta Jéssica. “E ele queria que se chamasse putaria para quebrar um tabu do que é putaria. Ele queria mostrar que a putaria existe e é sublime.”

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