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Estado de Minas

Festival de Berlim aposta em diversidade temática na edição de 2015

O evento começa nesta quinta-feira (5/2) e segue até 14 de fevereiro


postado em 04/02/2015 08:01

O filme Ninguém quer a noite, de Isabel Coixet, é a atração de abertura desta edição do Festival de Berlim(foto: Leandro Betancor/Divulgação)
O filme Ninguém quer a noite, de Isabel Coixet, é a atração de abertura desta edição do Festival de Berlim (foto: Leandro Betancor/Divulgação)


Com exibição prevista para a próxima sexta-feira, na capital alemã, o longa-metragem Rainha do deserto dá a perspectiva do 65ª edição do Festival de Berlim. Comandada pelo alemão Werner Herzog, a produção norte-americana que já foi apelidada de “versão feminina de Lawrence das Arábias” é estrelada por James Franco e Nicole Kidman. A trama acompanha uma mulher reconhecida pelos serviços prestados à espionagem britânica. Morta em 1926, Gertrude Bell colocou de lado questões pessoais para viajar por Teerã, tendo como saldo análises profundas da cultura muçulmana.

Esse mesmo intuito desbravador cerca a atração de abertura da Berlinale, em cerimônia da quinta-feira, o longa Ninguém quer a noite, de Isabel Coixet — que crava a sétima participação no evento. Juliette Binoche, Gabriel Byrne e o neto do pintor Miró, Ciro, foram escalados para o longa que mostra as consequências do deslocamento do pesquisador Robert Peary para o Polo Norte, no início do século 20. O filme mostra o confinamento num iglu e as semelhanças que brotam entre duas dedicadas esposas de expedicionários.

Mesmo fora de competição, um dos títulos que prometem chamar a atenção é Mr. Holmes, encabeçado por Ian McKellen (o eterno Gandalf) e dirigido por Bill Condon. Apicultura, o exercício inesperado da função de avô e pistas de casos que teimam em voltar à memória são os elementos que cercam o ancião detetive da literatura Sherlock Holmes. Com a mesma levada fantasiosa, o Japão estará representado no festival (que terá o cineasta de Cisne negro, Darren Aronofsky, presidindo o júri) pelo cultuado diretor Sabu, que comparece com A jornada de Chasuke. A espinha dorsal do melodrama, salpicado por filosofia, é o cotidiano de funcionários de Deus, que, escribas de biografias de mortais, livram uma moça da morte em acidente de carro.

Num plano bem diverso, compromissado com a realidade, o sempre polêmico iraniano Jafar Panahi apresenta Taxi, exemplar da constante idealizada por Panahi: “A minha maior preocupação é o cinema, como arte”. A ser mostrado na sexta, a promessa é de um “táxi do Gugu” fornido de conteúdo. Panahi assumiu a condução de um veículo, enquanto entrevistados, que entram no táxi, avolumam dramas e situações cômicas.

Brasil estará representado

Ciente de uma dicotomia entre o cinema “cultura” e o “comercial”, a ser superada no Brasil, o único concorrente brasileiro Joel Pizzini (do curta Mar de fogo) pontua festejos, com senso crítico. “Claro que fico lisonjeado pela escolha, mas tenho consciência de que, por trás dela, há um efeito simbólico, de uma memória potente que foi abandonada em nome de resultados, estatísticas, que são importantes, mas não devem ofuscar a busca de novas narrativas na produção de cinema”, disse ao Correio.

Mar de fogo presta reverência ao cineasta Mário Peixoto (do renovador Limite), decisivo para que Pizzini seguisse o cinema. “Tive o privilégio de conhecer o Mário que me deu os direitos pra realizar o longa Mundéu — A invenção de limite que, mais do que um filme, é um projeto de vida que acalento e que com Mar de fogo volta a pulsar”, conta.



Berlim estenderá o tapete vermelho da segunda mais importante mostra, a Panorama, para o Brasil, na quinta-feira, quando Sangue azul (de Lírio Ferreira) abrirá o evento. Ausência (de Chico Teixeira) e Que horas ela volta? (longa de Anna Muylaert) também estarão por lá. Na Panorama Dokumente, Walter Salles promete brilhar com Jia Zhang-ke, um homem de Fenyang. No segmento Forum, reservado à vanguarda, o pernambucano Marcelo Pedroso levará Brasil S/A e os gaúchos Filipe Matzembacher e Marcio Reolon comparecem com Beira-mar. Na Forum Expanded há um média-metragem de Felipe Bragança, Escape from my eyes.

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