Diversão e Arte

Chegada do rapper Rico Dalasam traz novidades para o mundo do hip-hop

Homossexual assumido, Dalasam quebra paradigmas no universo do rap

postado em 09/02/2015 08:08

Rico Dalasam é um dos principais nomes do queer rap no Brasil: objetivo é combater o preconceitoMorador de Taboão da Serra, periferia de São Paulo, o rapper Rico Dalasam, de 25 anos, desponta como o principal expoente de um gênero musical que, até então, permanecia sem representantes no Brasil: o queer rap. Um dos primeiros (se não o único) homossexual assumido dentro do universo do rap nacional, Dalasam importa uma derivação do hip-hop que já é reconhecido nos Estados Unidos como uma música de resistência ; na qual a diversidade sexual é assumida e protagonizada em um cenário predominantemente machista e homofóbico.

As brasilienses do Sapabonde abriram espaço para um novo fenômeno musical: o funk lésbico. Depois de postar um vídeo, em 2010, cantando duas músicas, Éus sapa e Vai não se esconde, o grupo, formado por cinco lésbicas assumidas, começou a ser convidado para fazer shows pelo país e a bombar na internet. O que se iniciou como brincadeira, colocou as meninas como representantes de um movimento. ;A música celebra o corpo e a sexualidade, mas de uma maneira na qual a mulher tem a liberdade de se colocar no mundo e de se apropriar de si mesma;, explicam.

;Sempre gostamos muito de compor músicas engraçadas sobre nossa sexualidade, mas nunca deixando de lado a militância;, conta a MC Carol. Completamente escrachadas, elas precisaram encontrar um equilíbrio entre o funk proibidão com o emponderamento feminino.

Para a rapper brasiliense, Flora Matos, o hip-hop abre espaço para letras engajadas. ;O rap é o estilo musical mais livre que existe. Não mais aberto, mais livre;. Flora explica que existe a liberdade de, por exemplo, misturar uma batida de funk com o som de um pífaro e cantar o que se pensa, mas permanece sendo um circuito predominantemente machista.

;É um tempo de virada, alguns preconceitos velhos vão se transformar ou se tornar obsoletos;, afirma o rapper. Negro, pobre e gay, Dalasam começou a enxergar uma possibilidade na música por volta de 2006, mas esperou alguns anos até encontrar um espaço para suas rimas. ;De lá para cá, muita coisa se estruturou dentro do circuito, muitas portas novas se abriram, muitas barreiras foram quebradas;, conta.

Em 2015, Rico vai lançar Modo Diverso, o primeiro disco de rap brasileiro com temática gay. ;Ainda dá tempo de ser quem se é, tempo de ser quem se quer, deixa quem quiser falar;, diz Aceite-c, primeiro single do EP, embalado por um sample de O mais belo dos belos, de Daniela Mercury. É com essa pegada mais animada e positiva que ele pretende construir, cada vez mais, seu lugar na música e na luta: ;A gente consegue levar esse alívio, esse suspiro, vamos construindo uma moçada com mais autoestima;, conta o rapper, que tem recebido mensagens de jovens que começaram a ver na música um caminho para a aceitação.

; Música de aceitação


Flora Matos, rapper brasiliense
A brasiliense que começou a gravar as primeiras músicas aos 13 anos, concorda com Rico Dalasam. ;É como ele diz, o fervo (balada) é protesto;. Para ela, o rap deve ser uma música libertadora. ;É simples, somos livres;. Associada a um estilo musical libertário, Flora ressalta o machismo no gênero e explica que, de forma não agressora ou ditadora, às vezes aborda algumas dessas questões em suas músicas.

A funkeira MC Xuxú

Influenciada pelo hip-hop e pelo rap, a MC Xuxú decidiu escolher o funk para usar o microfone como forma de luta contra o preconceito. ;Sou transexual e quero ser tratada como mulher. Não é todo mundo que respeita isso. O funk é só mais uma arma que tenho;, conta. Para ela, a questão deve ser debatida em todos os lugares e em todos os gêneros musicais. É fundamental ter atitude;, canta em sua música Desabafo.

Sapabonde, funkeiras brasilienses
;Sempre gostamos muito de compor músicas engraçadas sobre nossa sexualidade, mas nunca deixando de lado a militância;, afirma a integrante MC Carol. Em uma das faixas, elas cantam: ;Vem, não se esconde, vem pro Sapabonde;. Engajadas, as integrantes gostam de ressaltar o empoderamento feminino de forma bem-humorada.

Karol Conka, rapper
A intenção de Conka é enviar uma mensagem de aceitação em suas músicas, que levante a autoestima de quem ouve. Naturalmente feminista, a rapper conta que, na cena do rap, ainda existe um despreparo dos homens com a presença de mulheres. ;O debate é sempre importante, e acho que demorará alguns anos para a mulher se firmar de vez, a ponto de não responder mais perguntas sobre como é ser mulher no rap.;

Candy Mel, cantora
Integrante da goiana Banda Uó, a cantora é transexual. O trio, que mescla tecnobrega com pop, bomba nas pistas de todo o país. Além do espaço na música, também encontrou tempo para colocar a questão do gênero em debate.

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