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Estado de Minas

Transtornos mentais: um tema mais abordado em cinema do que se imagina

O cinema de terror também busca inspiração na psicopatia, tendo produzido clássicos como Psicose (Alfred Hitchcock, 1960) e O iluminado (Stanley Kubrick, 1980)


postado em 01/03/2015 06:45 / atualizado em 28/02/2015 19:57

Filme
Filme "O iluminado" (foto: Peregrine Productions/Reprodução)


As artes sempre foram um campo frutífero para a representação da loucura. Desde a bela e suicida Ofélia, de Shakespeare, passando pelo universo sinuoso de Van Gogh, até o desespero do isolamento traduzido pelo grito surdo de Edvard Munch. No século 20, o cinema tornou-se o suporte perfeito para dar forma aos transtornos psiquiátricos que afligem a sociedade. Se, em 1920, O gabinete do Dr. Caligari usava um expressionismo sombrio para retratar o universo distorcido do protagonista, em Birdman — grande vencedor do Oscar 2015 —, Alejandro González Iñárritu pinta com efeitos especiais e uma câmera inquieta, a confusão mental de Riggan (Michael Keaton), atormentado pela persona que o tornou famoso no cinema.

Filmes como Sniper americano (Clint Eastwood, 2014), Melancolia (2011) — ao lado de Ninfomaníaca e Anticristo, compõe a trilogia da depressão de Lars von Trier — e O lado bom da vida (David O. Russell, 2012) trazem para as telas a forma patológica dos males da vida moderna. O cinema de terror também busca inspiração na psicopatia, tendo produzido clássicos como Psicose (Alfred Hitchcock, 1960) e O iluminado (Stanley Kubrick, 1980).

Além da representação estética, o cinema usa a narrativa para contextualizar os transtornos mentais, tornando o tema mais acessível ao espectador. “Esses distúrbios são vividos por seus portadores, suas famílias e por quem os cercam também como um drama”, analisa o psicólogo Alexandre Costa Neto, mestre em psicologia clínica e cultura. “O valor de um filme que tem como tema a saúde mental não precisa ser medido necessariamente por sua fidedignidade em retratar sinais e sintomas de determinado transtorno psiquiátrico”, completa.

Perguntas para Tânia Montoro, professora do Departamento de Audiovisual da Universidade de Brasília:


Para o público, qual é o atrativo dos filmes que representam a loucura?
A loucura nos chama porque é um universo desconhecido. Ela é presente, mas invisível. Basta dizer que um de nossos maiores cineastas (o documentarista Eduardo Coutinho) foi morto por um filho que tinha um transtorno mental não tratado. Aquilo poderia ter sido prevenido. Então a loucura é quase que invisível, além do estigma social que ela tem. Chamar alguém de “doido” é um estigma e não deveria ser, já que grande parte da população sofre de transtornos mentais.

Quais os desafios para tratar do tema de maneira profunda no cinema brasileiro?
Fazer um filme sobre psicopatia exige uma pesquisa. Mas em muitos de nossos editais, o prazo para a realização do filme é de um ano. Para fazer um trabalho desses é necessário acompanhar aquela neurose ou psicose em pacientes durante um período, recorrer à ciência e ver como ela trata, além de buscar outros filmes que foram feitos. O Brasil democratizou o acesso, mas não o qualificou.

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