Diário de Pernambuco
postado em 16/03/2015 09:34

Um dos chamarizes na divulgação de Babilônia, trama que estreia nesta segunda-feira (16/3) na Globo, é o fato de a novela assinada por João Ximenes Braga, Ricardo Linhares e Gilberto Braga escalar as atrizes Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg como um casal gay. Para Ximenes Braga, no entanto, isso é apenas natural. ;Primeiro, porque eu sou gay, convivo com gays no trabalho e na vida pessoal;, diz. E prossegue: ;Segundo, Albert Kinsey, o grande pioneiro em estudos sobre sexualidade humana, lançou a estimativa de que 10% da população seria homossexual. Numa pesquisa do Instituto Gallup, nos Estados Unidos, em agosto de 2002, a estimativa já aumentou para uma em cada cinco pessoas.
"Então, na boa, num universo de 50 personagens, qual o grande problema de termos quatro personagens gays?;, questiona, anunciando a presença de mais dois homossexuais na produção.
[SAIBAMAIS]Ele argumenta que não se trata de uma obrigação, mas é algo espontâneo. ;A novela espelha a sociedade. Parece que é novidade, porque durante a ditadura a censura não permitia. Gilberto Braga sofreu muito com isso em Brilhante;, afirma o autor. Ximenes Braga trabalha há uma década com Gilberto Braga, desde que foi chamado para colaborar na sinopse de Paraíso tropical. Ele conta que em Babilônia criaram tudo juntos, em reunião. A sinopse foi desenvolvida em três encontros semanais, com cerca de cinco horas de duração cada um. A partir de agora, ele, Gilberto Braga e Ricardo Linhares fazem apenas uma reunião semanal para tratar da trama.
;As pessoas tendem a achar que cada um cuida de um núcleo. Isso não existe, todos temos que ter domínio de todos os personagens, tudo é criado de forma coletiva;, aponta. Enquanto os colaboradores anotam as decisões tomadas em cada reunião, ele faz a chamada ;escaleta; ; a estrutura dos capítulos. Fica a cargo dos colaboradores a elaboração dos diálogos.
Gilberto Braga cuida de uma primeira revisão do capítulo, ele, da segunda e Ricardo Linhares, da redação final. Ximenes Braga cita entrevista recente de Kevin Spacey, intérprete de um político implacável e moralmente corrupto na série House of cards, que se gabava de o espectador sentir repulsa e atração, simultaneamente, por seu Frank Underwood, e diz que já é tradicional nas novelas brasileiras esse tipo de personagem. ;São os nossos vilões. Esperamos que tanto Beatriz (Glória Pires) quanto Inês (Adriana Esteves, as duas vilãs da novela) tenham esse efeito em Babilônia;.
No entanto, Ximenes Braga ressalta que Regina, a personagem-mocinha vivida por Camila Pitanga, é uma espécie de sol da trama. ;A novela precisa de Regina para ter luz, senão, nem Beatriz nem Inês vão aparecer. Correriam o risco de viver no breu;, conclui.