Diversão e Arte

Arquitetura de Brasília inspira "humor absurdo" em curta estrangeiro

A equipe norte-americana gravou durante cinco dias o filme sobre uma cidade do futuro. "Não há nenhum outro lugar assim", diz cineasta

postado em 01/04/2015 18:15
Em 1964, o célebre ator da nouvelle vague Jean-Paul Belmondo esteve em Brasília, nas filmagens L;homme de Rio, mostrando o começo do concreto na poeira do planalto. Cinquenta e um anos depois, a cidade é protagonista em outro filme estrangeiro ; desta vez, a aventura e ação do precursor em preto e branco dão lugar ao nonsense da ficção científica em Brasília. O filme de Benjamin Dickinson e Reggie Watts é um tour bizarro na cidade, em um futuro hipotético ; assim, a ideia flerta também com o mote de Branco sai, preto fica. Último grande filme produzido na cidade, a premiada produção ceilandense funde documentário e ficcção científica. Clique aqui para ver o curta na íntegra em inglês.


Reggie Watts e Carolina Ravassa em frente à Biblioteca Nacional
A capital futurística planejada nos anos 1960, com "idealismo e a estranheza" foi cenário ideal para a visão de Dickinson, nas palavras dele. "Não há, literalmente, nenhum outro lugar no mundo assim;, justifica o diretor, em entrevista ao Correio. O cineasta norte-americano de 33 anos explica que a ideia partiu do performático comediante Watts, de ;utilizar a arquitetura de Niemeyer como inspiração para o humor absurdo. É ao mesmo tempo uma celebração e uma brincadeira;.


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Os sete minutos e meio do filme trazem apenas dois atores, Watts e Carolina Ravassa, que apresentam a cidade futurística para o público. Os ;guias turísticos; estão sempre com roupas exóticas, como vestido prateado e enormes óculos escuros. Dentre os lugares apresentados, o ;Quiosque de teletransporte; e a ;Faculdade de telepatia; (ambas no Templo da Legião da Boa Vontade). Eles visitam também a Ponte JK e o Vale do Amanhecer.



Watts estava de férias no Brasil quando idealizou o projeto e convidou Carolina para participar. A atriz colombiana, radicada em Nova York, morou alguns anos no Brasil e jura ter ;coração carioca;. Ainda assim, a primeira vez dela em Brasília ainda a surpreendeu: ;É um dos lugares mais diferentes que já vi. Tudo é tão futurístico e místico, foi incrível inventar nomes e criar novas informações para os lugares;. Para Carolina, o lugar mais inusitado foi o Vale do Amanhecer - em que chegaram a presenciar uma cerimônia religiosa.


No curta, o Museu da República é retratado como um centro espiritual, o
Para Dickinson, o melhor da cidade foram as pessoas, ;algumas das mais inteligentes, legais, cabeça aberta, espirituais e bonitas" que já conheceu. Segundo ele, tudo foi feito no improviso, não houve roteiro. O cineasta só lamenta não ter conseguido filmar dentro ou nas redondezas dos prédios governamentais. As filmagens ocorreram no ano passado e duraram apenas cinco dias.

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