O sedutor e perigoso universo do filme noir é o tema do novo box da Versátil ; o segundo da distribuidora dedicado ao gênero que, embora tenha vivido seu auge no pós-guerra, ainda segue influenciando o cinema contemporâneo. Vício inerente, novo filme do norte-americano Paul Thomas Anderson, ainda sem data de estreia em Brasília, é um tributo psicodélico ao filme noir. Por meio dos seis longas que compõem a coleção, podemos acompanhar as mutações do gênero já entre o final dos anos 1940 e início dos anos 1950, quando mistura-se ao melodrama (Ato de violência), ao drama de tribunal (O justiceiro) e até ao road movie (Mortalmente perigosa).
Os detetives de sobretudo, perambulando pelas ruas úmidas da cidade corrupta, vão ganhando outras nuances que os tornam mais complexos. Não mais à margem da sociedade, aqui eles transformam-se em um pai de família, um chefe de polícia dividido ou um promotor que enfrenta o sistema político. O mesmo, infelizmente, não pode ser dito dos personagens femininos, aprisionados no estereótipo da femme fatale ; que leva o anti-herói à perdição ; ou da dona de casa.
Um dos melhores títulos da caixa é Mortalmente perigosa (1950), do diretor de ;filmes B; Joseph H. Lewis. Com John Dall (Festim diabólico, de Alfred Hitchcock) e a bela galesa Peggy Cummins no elenco, a produção se inspira livremente na história de amor e violência de Bonnie e Clyde. A experiência dirigindo westerns de baixo orçamento faz com que Lewis se sinta mais à vontade em locação, armando sequências dinâmicas nas ruas, nas quais usa transeuntes desavisados como figurantes. O fetiche pelas armas é a fonte da tensão sexual entre os protagonistas ; algo também explorado em Bonnie e Clyde ; de Uma rajada de balas (1967), longa que deve bastante ao filme de Lewis.
Homem comum
Em O justiceiro, Elia Kazan (Uma rua chamada pecado e Sindicato de ladrões) traz o terror e a insegurança a uma pequena cidade americana, quando um padre é assassinado no meio da rua. Após uma longa investigação, conduzida em meio à pressão da opinião pública e do jogo político local, a polícia chega a um suspeito. O promotor Harvey (Dana Andrews), no entanto, acredita em sua inocência e tratará de prová-la. Baseado em uma história real, o filme também busca uma representação mais naturalista. A produção foi quase toda feita nos locais em que os fatos realmente aconteceram, utilizando pessoas da comunidade em algumas cenas.
Filme Noir, volume 2
De Fritz Lang, Elia Kazan, Anthony Mann e outros. Com Dana Andrews, Lee J. Cobb, Peggy Cummings, John Dall e Farley Granger. Versátil Home Video. Não recomendado para menores de 14 anos.
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