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Estado de Minas

Artistas comemoram indicação do choro como patrimônio cultural e imaterial


postado em 25/04/2015 07:30 / atualizado em 25/04/2015 08:38

Ver galeria . 5 Fotos Alfredo da Rocha Vianna Filho, ou Pixinguinha, foi um músico flautista, saxofonista, compositor e arranjador brasileiro que viveu entre 1897 e 1973. É considerado um dos maiores compositores da música popular brasileira, contribuindo diretamente para que o choro encontrasse uma forma musical própria e definitivaReprodução/Internet
Alfredo da Rocha Vianna Filho, ou Pixinguinha, foi um músico flautista, saxofonista, compositor e arranjador brasileiro que viveu entre 1897 e 1973. É considerado um dos maiores compositores da música popular brasileira, contribuindo diretamente para que o choro encontrasse uma forma musical própria e definitiva (foto: Reprodução/Internet )

“O choro deve ser preservado da mesma forma que a Mata Atlântica, a arquitetura de Oscar Niemeyer, as esculturas do Aleijadinho, as bachianas de Heitor Villa-Lobos. São manifestações culturais que conferem respeitabilidade ao nosso país. O brasileiro que não valoriza esse legado, está negando sua própria identidade.” A afirmação é de Guinga, um dos mais importantes compositores e violonistas da moderna MPB, autor de clásicos como Noturno Leopoldina, Cheio de dedos e Catavento e girassol , que ele classifica como choros-canção.

Guinga mostra-se exultante com o fato de o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) atribuir ao choro o título de patrimônio cultural e material do Brasil. “Onde estiver, Pixinguinha, responsável pela consolidação e formatação desse gênero musical, deve estar comemorando com o entusiasmo a decisão dessa instituição tão importante para a cultura nacional. Ações como essa, contribuem para a reafirmação do Brasil como nação”, ressalta o músico.

Um dos nomes mais destacados da cena do choro carioca, o cavaquinista Henrique Cazes chama a atenção para dois aspectos da decisão do Iphan, ligado ao Ministério da Cultura (MinC). “O título vai dar uma visibilidade ainda maior ao choro, no momento em que comemora 150 anos de surgimento, e reforça a condição de um dos estilos musicais que tem recebido expressiva adesão de jovens instrumentistas.”

Elevação
Com oito discos lançados, Cazes é produtor e diretor musical de três álbuns da Orquestra Pixinguinha e três da Orquestra de Cordas do Brasil; além de ser o autor do livro Choro, do quintal ao Municipal (que está na quarta edição) e rápidas biografias de Chiquinha Gonzaga, Jacob do Bandolim e Waldir Azevedo. Para ele, elevação do choro ao patamar de Patrimônio Cultural e Imaterial vai, também, “proporcionar uma maior abertura para quem busca apoio para projetos artísticos nessa área.”

Fernando Brant, um dos plilares do mítico movimento Clube da Esquina, revela que ouve choro com alguma frequência. Em sua discoteca há vários discos de Pixinguinha e também de Henrique Cazes, estudioso, pesquisador e profundo conhecedor do gênero. “O choro, com sua estrutura melódica e sofisticação, influencia por demais outros estilos musicais, principalmente os que envolvem instrumentistas”, diz com propriedade. “Ao atribuir esse título, ao Iphan está fazendo justiça ao choro, tido como gênese da música popular brasileira”, complementa.

Violonista clássico e popular, com trabalho reconhecido internacionalmente, Turíbio Santos, ex-presidente da Academia Brasileira de Música e ex-diretor do Museu Villa-Lobos, é, igualmente, um expert em chorinho. Em tom brincalhão ele fala: “Quando dizem que o choro está morrendo, ele vai para o fundo de quintal e volta ainda mais fortalecido”. Para ele, “na prática”, o choro já é um patrimônio. “O fato de ter esse reconhecimento do Iphan vai ajudar, em muito, às novas gerações, que anda escutando tanta porcaria, a se aproximar de um gênero musical sofisticadíssimo, mas ao mesmo tempo popular.”

A flautista Dolores Thomé, sócia fundadora do Clube do Choro de Brasília, e ex-professora da Escola de Música, atualmente está radicada na cidade do Porto, em Portugal, onde faz doutorado em Informação e Comunicação em Platafora Digitalo. Ela festeja o “status” que o choro vai adquirir com título que vai receber do Iphan e conta que existe um clube do choro em Lisboa, “que surgiu depois da criação de um congênere, em Paris. Os portugueses adoram o choro e no Porto costumo comandar rodas de choro num bar próximo à histórica Ponte Luis V”. Ela acrescenta: “Na minha volta a Brasília, não podia ter notícia melhor do que essa, publicada pelo Correio Braziliense”.



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