Jornal Correio Braziliense

Diversão e Arte

Em entrevista, Lázaro Ramos conta sobre os novos trabalhos artísticos

"A direção tem me encantado mais a cada dia. E escrever. Eu tenho muita dificuldade em escrever", afirma o ator


A tranquilidade na voz de Lázaro Ramos não reflete o clima de intensa atividade ao seu redor. Somente em maio, o ator de 36 anos poderá ser visto nos cinemas com três propostas bem diferentes: a comédia Sorria, você está sendo filmado, de Daniel Filho, com lançamento marcado para o dia 7; o suspense O vendedor de passados, em cartaz a partir do dia 21; e O grande Kilapy, uma coprodução entre Brasil, Portugal e Angola. Paralelamente aos filmes, Ramos explora outras áreas da dramaturgia ao assumir a codireção da peça O campo de batalha, em cartaz até o dia 17 de maio no CCBB Brasília. No comando do programa Espelho, no ar há 10 anos no Canal Brasil, ele participa desde a concepção estética, até a edição dos episódios. Além disso, o ator se prepara para lançar seu segundo livro infantil, Caderno de rimas do João. Em entrevista ao Correio, Ramos fala sobre as transformações no mercado audiovisual e na sociedade, e demonstra entusiasmo com as novas janelas abertas para o intercâmbio de ideias.

Atrás das câmeras
A direção tem me encantado mais a cada dia. E escrever. Eu tenho muita dificuldade em escrever. Não consigo escrever sob encomenda, por exemplo. Mas eu gosto muito de escrever, de colocar uma ideia no papel e poder sonhar a partir de outros lugares. O sonho dos atores, às vezes, é um pouco limitado. A gente pega um texto e se apaixona como se fosse nosso, defende como se fosse nosso, mas nem sempre é da maneira que a gente sonha, que a gente vê o mundo. Como diretor e como escritor, a gente pode ter outros sonhos. Para o cinema, estou com um projeto, mas indo com muita calma e paciência, porque sei da responsabilidade que é dirigir um projeto para cinema. Para você dirigir um filme no Brasil, você precisa ser também produtor, entender de mecanismos de distribuição e ter conhecimento para aproveitar as novas plataformas que existem hoje em dia para um filme.

A comédia brasileira

A proposta de Daniel Filho para nós, atores, é um grande desafio e um grande risco. Sorria, você está sendo filmado é um filme feito com planos longuíssimos, o que faz com que a sua atuação tenha que ser muito mais precisa. Hoje em dia fala-se muito na comédia, que a comédia está atraindo o público, e eu tinha vontade de retornar à comédia em cinema para ver o que acontece. Eu fiz O homem que copiava, Saneamento básico e Ó paí, ó, que são comédias, mas eram de um outro momento da relação do público brasileiro com o gênero. Eu tinha muita vontade de ver como seria essa relação agora.

Diversidade no circuito

Eu vejo com ressalva algumas críticas que fazem às comédias pelo seguinte: a questão em um país com 200 milhões de habitantes não deveria ser por que as comédias estão fazendo tanto sucesso. Para mim, a grande questão hoje são os filmes que não obedecem a uma cartilha de gênero e que não conseguem encontrar seu público. Fico me perguntando se filmes como Madame Satã, Amarelo manga ou Cidade baixa encontrariam seu público se eles estreassem agora. Será que eles encontrariam salas de cinema disponíveis para que o público tivesse acesso a esses filmes?

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