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Estado de Minas

Nelson Maravalhas faz paralelo da condição humana com inferno em mostra

Com 10 esculturas e três grandes painéis cenográficos, o artista constrói uma narrativa capaz de associar as angústias humanas às dores inevitáveis do mundo das trevas


postado em 04/05/2015 08:05 / atualizado em 04/05/2015 09:16

Fazer esculturas em madeira é um desejo antigo de Maravalhas(foto: Nelson Maravalhas/Divulgação)
Fazer esculturas em madeira é um desejo antigo de Maravalhas (foto: Nelson Maravalhas/Divulgação)

Nelson Maravalhas queria, inicialmente, fazer um paralelo entre a commedia dell´arte e o carnaval brasileiro, mas, aos poucos, desviou-se do caminho e chegou a uma encruzilhada que o levou ao inferno de Dante. Na Divina comédia, o poeta italiano visita o inferno, o purgatório e o paraíso guiado pelo também poeta Virgílio, mas Maravalhas não quis saber dos reinos mais amenos e se concentrou mesmo na simbologia que rodeia as agruras das trevas. A Mecânica dos Animais Dramáticos – a divina commedia dell’arte humana, em cartaz na Galeria Sala 2 do Museu Nacional da República, traça um paralelo entre a condição humana e o próprio inferno de Dante. Maravalhas não quis saber de céu e purgatório porque, para o artista e professor da Universidade de Brasília (UnB), o inferno é aqui mesmo.

Com 10 esculturas e três grandes painéis cenográficos, o artista constrói uma narrativa capaz de associar as angústias humanas às dores inevitáveis do mundo das trevas. Na entrada da exposição, uma lona pintada reproduz o formato de uma boca de cena. A ideia é dar ao visitante a sensação de entrar em um cenário. “O inferno é na Terra”, explica o artista, ao comentar um dos grupos escultóricos da exposição intitulado Homem mesa e Homem cadeira. “Eles representam a submissão de um homem ao outro, que é o inferno da dominação. Os pescoços, inclusive, estão interligados. E o dominador e o dominado é um sistema único, só tem um se tiver o outro”, repara.

Em Centenário oxóssi, outro personagem importante na história narrada por Maravalhas, uma figura atira flechas para demonstrar a indignação com o sistema divino de salvação e punição. Cada grupo de personagens conta uma história cuja referência é o poema de Dante Alighieri. A figuração é fundamental para o artista construir a narrativa. “Esse universo está no mundo. Não acredito, obviamente, no inferno embaixo da terra”, avisa. “E a figuração é o estilo, para mim, em que mais posso falar. Eu quero fazer uma fala que seja contundente, e a narração está sempre no meu trabalho, com todos os elementos do drama.”

A Mecânica dos Animais Dramáticos – a divina commedia dell’arte humana
Exposição de Nelson Maravalhas. Abertura hoje, às 19h, no Museu Nacional da República. Visitação até 31 de maio, de terça a domingo, das 9h às 18h30, no Museu Nacional da República (Conjunto Cultural da República, Setor Cultural Sul).

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