Diversão e Arte

Fotógrafo usa o nu como protesto contra espaços fechados em Brasília

Com o projeto Abandonados, Sérgio Costa Vincent espera chamar a atenção de autoridades para a questão

postado em 12/05/2015 08:06

Espaço Cultural Renato Russo, uma das áreas vitais para a cultura local, está esquecido

Fotógrafo há 10 anos, Sérgio Costa Vincent ministra algumas oficinas pela cidade. Na maioria delas, aborda a questão da nudez artística. Ao sair de uma aula, cruzou com o Teatro Nacional. A porta de vidro da Sala Villa-Lobos estava fechada. Tentou o outro lado. Tapumes de madeira impediam (e ainda impedem) a entrada de pessoas na Martins Pena. ;Vi um pessoal fazendo uso de drogas naquelas escadarias laterais;. Foi o bastante para provocar uma reação.

Sérgio convidou voluntários que fossem ;comprometidos com a arte; e que, como ele, estivessem dispostos a protestar contra o fechamento dos principais espaços culturais públicos de Brasília. Assim, surgiu o projeto Abandonados, cujo nome parece definir a situação atual dos equipamentos artísticos do DF. Mais do que nunca, o corpo nu se tornou um meio de expressão no trabalho do fotógrafo.

;A nudez provoca, incomoda, seduz. É preciso convocar as autoridades, de forma contundente, a agir em prol da cultura e reverter o absurdo em que se encontram esses espaços;, afirma. A falta de roupas, de acordo com o artista, ilustra uma metáfora irrevogável: ;Quando vamos ao teatro, a algum espetáculo de arte, vestimos nossos melhores trajes, colocamos maquiagem, passamos perfume. Na situação vigente, não necessitamos de nenhuma dessas coisas, pois não há aonde ir, nem ao que assistir;, sugere, como se perguntando: ;Para quê roupa?;

[SAIBAMAIS]Despidos, os voluntários foram fotografados em vários locais deteriorados e fechados ao público. Além do Teatro Nacional, que provocou a pauta, o Espaço Cultural Renato Russo e a Biblioteca Demonstrativa também foram visitados. A composição transcendeu a questão cultural e incorporou outros aparatos, igualmente negligenciados, como a Piscina de Ondas, no Parque da Cidade, e as ruínas da Universidade de Brasília (UnB).

Ferramenta política

A nudez como forma de protesto remonta ao início do século passado, quando o movimento cristão russo liderado pelos Doukhobors preferiu uma manifestação ao natural. A partir da década de 1960, marcada pelo liberalismo sexual, a prática se torna comum e, desde então, vem sendo utilizada como forma de chamar atenção de governos e autoridades públicas. As reivindicações são as mais variadas. Desde a liberdade de escolha de vestuário em ambiente de praia (Dinamarca), passando por questões relacionadas à perda de território (Uganda), mobilidade urbana (Porto Alegre) ou ativismo artístico e político. Alguns grupos, como o ucraniano Femen, ficaram conhecidos mundialmente. A opinião pública ainda se divide sobre a iniciativa.

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