Jornal Correio Braziliense

Diversão e Arte

Estudante da UnB mistura ficção e realidade para falar de HIV

O ator e diretor Gabriel Estrela quis se abrir ao diálogo com o maior número de pessoas possível, para combater o preconceito e esclarecer os jovens

;O problema é quando essa questão de sigilo é perpetuada, lemos logo no início na declaração dos direitos das pessoas vivendo com HIV ou Aids: ;direito ao sigilo sobre a sua condição sorológica;. Mas ninguém se lembrou de garantir também o direito à expressão. Freud já dizia que falar das coisas faz as coisas ficarem mais fáceis. Então eu não preciso guardar aquilo dentro de mim e remoer;. E, assim, inspirado pelo princípio de sensibilizar os jovens por intermédio da sua própria história, o ator e diretor Gabriel Estrela escreveu a peça Boa sorte e criou o projeto homônimo, na tentativa de abrir diálogo com o maior número possível de pessoas. E agora o projeto vai para a rua.

Gabriel, que descobriu estar com HIV há 5 anos, afirma que somente agora compreendeu plenamente o que é ser uma pessoa vivendo com o vírus. Depois do entendimento, veio a certeza de que o melhor seria dividir. Ele acredita que o pior que podemos fazer nos tempos atuais é deixar uma situação estagnada, sem possibilitar mudanças. O texto do espetáculo traz , em parte, a experiência do ator e se completa com um pouco de ficção, criada pelo jovem que estuda desde 2010 as possibilidades, vivências e transformações que surgem com a sorologia positiva.

[SAIBAMAIS]


;O direito ao sigilo ainda é importantíssimo, já que muita gente sofre com o preconceito ainda forte. A orientação que recebemos, a princípio, é de manter segredo, para nos proteger de respostas negativas em um momento que já nos deixa fragilizados;, reconhece. Ainda assim, incentivado pela forte resposta artística que surgiu no início da epidemia, nos anos de 1970, criou o projeto, baseado em ações sociais e artísticas. ;O que eu espero conseguir é sensibilizar o maior número de pessoas possível;, conta o ator.

Segundo relatório da Unaids, divulgado no último dia 14, o número de infecções no mundo diminuiu 35,5% entre 2000 e 2014. No entanto, no Brasil, esse número cresceu no mesmo período, mostrando a importância de continuar e renovar as ações de sensibilização e conscientização dos jovens. Engajado para reverter esse quadro, o projeto Boa sorte fez uma parceria com a ONG Vida positiva, que nasceu em 2006 com o intuito de ajudar os portadores do vírus a superarem o preconceito. Vicky Tavares, fundadora da ONG, afirma que o teatro é um agente transformador e acredita que inciativas como essa podem ajudar a disseminar informações de maneira efetiva.

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