Diversão e Arte

Série 'Papai Sabe Nada' será produzida para a TV Cultura

"É uma série que fala da relação pai-filho, é uma atuação que gera identificação. O Máximo é o pai, o Confúcio é o filho", conta Leonardo Cortez

Agência Estado
postado em 17/08/2015 15:28
Diretora de Máximo & Confúcio, série produzida pela MoonshotPictures para a TV Cultura, Eliana Fonseca define como "eixo" a ligação entre o enredo da vez e Papai Sabe Nada, lendário seriado protagonizado por Renato Corte Real na antiga TV Record. É quase uma tradução livre do que chamam de "spin-off", série derivada de outra, o que não é prática rara na TV. Raro, sim, é retomar o espírito da coisa quase meio século depois.

O cenário da nova casa da família, que agora tem como pai quem foi filho na versão original - Ricardo Corte Real, herdeiro de Renato - estampa em uma das paredes um belo retrato do próprio Renato, que só faltou falar durante as gravações. Ou nem isso. "A gente conversava com o retrato do Renato e o retrato também falava com a gente, é quase como se o espírito do Renato estivesse ali no set", diverte-se a diretora, em conversa com o Estado durante um dia de gravações externas em uma praça na Vila Madalena, em São Paulo.

"É uma série que fala da relação pai-filho, é uma atuação que gera identificação. O Máximo é o pai, o Confúcio é o filho", conta Leonardo Cortez, o Léo. Ele é parceiro de Ricardo na idealização do seriado, no roteiro e também em cena, intérprete que é de Confúcio, um sujeito de 40 anos que ainda sonha em ser cantor de reggae e tem interesse zero em ajudar o pai nos negócios. "Eles têm uma relação de perpétuo conflito, mas, ao mesmo tempo, de um amor inconfessável entre os dois. Isso se espelha também na relação do Máximo com o pai dele, que dialoga, por consequência, com a relação do Ricardinho com o Renato Corte Real. Então, a figura do pai está muito presente na série", conta Léo.

Léo escreveu episódios bem mais longos do que os 30 minutos exigidos pela edição, tempo ideal para o gênero de comédia, segundo o produtor da série, Roberto D;Ávila, da Moonshot. A condensação do texto permitiu que se extraísse dali a essência da comédia, que não tem, de acordo com Léo e Eliana, aquele ritmo frenético hoje ditado pelo riso de internet. Também se distancia, claro, do tempo da série original, que era ao vivo.

No enredo, Máximo, de origem humilde, construiu um pequeno império, mas foi à falência. Os funcionários que restaram vão trabalhar na casa do patrão, onde circula também dona Biloca Jacarandá (Patrícia Gasppar), mulher de Máximo e mãe de Confúcio perua que se vê obrigada a trabalhar pela primeira vez na vida após o fim da empresa do marido. O elenco conta ainda com Robson Nunes, Daniel Dottori, Norival Rizzo - que dividia a cena com Léo no dia em que visitamos as gravações - e Luisa Valente.

Máximo e Confúcio eram os nomes dos protagonistas de Papai Sabe Nada, quando Ricardo contracenava com o pai, idealizador e autor da sitcom, criada como sátira de outro seriado americano na época - Papai Sabe Tudo. Contou com participações estelares, como Jô Soares, Adoniram Barbosa e Durval de Souza, entre os anos de 1962 a 1966. Ao convidar Léo para desenvolver o novo trabalho com ele, Ricardo sacou da gaveta textos inéditos do pai e recorreu a uma memória afetiva que envolveu a todos no set. "Aos 8 anos, ganhei um concurso de redação narrando que eu queria ser humorista quando crescesse, e minhas referências eram eles, Renato, Golias", lembra Eliana.

A série está prevista para ir ao ar em 2016, em uma TV Cultura fragilizada pela falta de dinheiro em caixa. Mas a nova produção vem calçada no aval da Ancine para captar, por leis de incentivo os quase R$ 2,5 milhões orçados para sua produção.

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